Irã considera 'provável' retomada das hostilidades com os EUA, diz comandante militar

 

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Um alto comandante militar iraniano afirmou neste sábado que a retomada do conflito armado com os Estados Unidos é "provável", considerando o impasse nas negociações e as críticas do presidente Donald Trump à mais recente proposta de diálogo do Irã.

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"É provável que o conflito com os Estados Unidos seja retomado, e os fatos demonstram que os Estados Unidos não respeitam nenhuma promessa ou acordo", disse Mohammad Jafar al-Asadi, vice-inspetor do Comando Militar Central Khatam al-Anbiya, citado pela agência de notícias iraniana Fars.

Nesta sexta, o presidente dos Estados Unidos afirmou em carta ao Congresso que as hostilidades com o Irã haviam sido "encerradas" após a entrada em vigor de um frágil cessar-fogo no início de abril, buscando reduzir a pressão política sobre a necessidade de autorização formal dos parlamentares para a continuidade do conflito.

A justificativa está ligada à legislação americana que regula o uso das Forças Armadas. Pela lei, após notificar oficialmente o Congresso sobre ações militares, o presidente tem 60 dias para encerrar as operações ou obter autorização para prolongá-las. Em tese, esse prazo expiraria nesta sexta-feira.

Trump disse nesta sexta-feira que não estava satisfeito com a nova proposta do Irã para iniciar negociações pelo fim da guerra no Oriente Médio, expressando dúvidas sobre a capacidade do país de aceitar um acordo.

As tratativas entre os dois lados permaneciam paralisadas. A agência estatal iraniana Irna afirmou horas antes que o Irã enviou uma proposta de negociação aos EUA por meio de mediadores do Paquistão. No mesmo dia, o chefe do Poder Judiciário iraniano, Gholamhossein Mohseni Ejei, afirmou que Teerã está aberto a dialogar com Washington, mas não aceitará "imposições" sob ameaça.

A nova proposta iraniana oferecia a discussão das condições de Teerã para a abertura do Estreito de Ormuz, em troca de garantias americanas de que cessarão os ataques e suspenderão o bloqueio aos portos iranianos, disseram fontes do Wall Street Journal.

Nas discussões anteriores, o Irã exigia que os EUA suspendessem o bloqueio como pré-condição para as negociações e concordassem com os termos para o fim da guerra antes de discutir a gestão futura do estreito e seu programa nuclear. Já a nova proposta enviada pela República Islâmica prevê a discussão das questões relativas ao programa nuclear iraniano em troca do alívio das sanções americanas, de acordo com as fontes.