Irã considera fim de ataques ao Líbano como 'condição não negociável' para cessar-fogo

 

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Com os ataques ao Líbano em curso, o Irã considera as negociações 'estrategicamente sem sentido e fúteis', disse uma fonte citada pela agência de notícias Fars, afiliada à Guarda Revolucionária Islâmica, antes das conversas de paz agendadas para esta sexta-feira (9) no Paquistão.

'A questão do Líbano e um cessar-fogo naquele país são uma condição prévia firme e não negociável da República Islâmica do Irã para o início de qualquer novo processo de negociação', disse a autoridade.

Ele acrescentou que Teerã se recusou a aceitar um cessar-fogo até que os Estados Unidos, incluindo o presidente Donald Trump, reconhecessem formalmente a estrutura geral de um pacote proposto de 10 pontos.

A fonte enfatizou que altos funcionários do Irã estão em total acordo sobre o assunto, sinalizando uma posição unificada e coordenada por parte de Teerã.

Segundo a fonte, a mensagem do país é clara: a menos que a situação no Líbano seja resolvida, não haverá negociações.

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AFP

O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Saeed Khatibzadeh, afirmou nesta quinta-feira (9) que o país esteve prestes a responder a uma violação do cessar-fogo ocorrida durante a noite no Líbano, mas recuou após a intervenção do Paquistão.

Khatibzadeh também confirmou que a delegação do Irã se dirigirá às negociações de paz em Islamabad, enquanto os esforços de mediação do Paquistão continuam após o cessar-fogo.

A afirmação ocorre após uma tensão se as negociações iriam continuar, já que houve sinais do governo iraniano que elas podem ser canceladas.

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou nesta quinta-feira (9) que o Líbano e o que ele chamou de 'eixo da resistência' são considerados parte de qualquer acordo de cessar-fogo com os Estados Unidos.

Autoridades iranianas usam o termo Eixo da Resistência para se referir a grupos paramilitares em todo o Oriente Médio alinhados com sua liderança.

Em uma postagem nas redes sociais, Ghalibaf disse que o primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, 'enfatizou publicamente e claramente a questão do Líbano; não há espaço para negação ou recuo'.

Ele alertou que as violações do cessar-fogo acarretariam 'custos explícitos' e provocariam respostas enérgicas.

Ghalibaf irá liderar a equipe de negociações com os EUA no Paquistão nesta sexta-feira (10), segundo a agência de notícias iraniana ISNA.

O presidente do Parlamento era relatado por veículos de imprensa dos Estados Unidos como o nome por detrás das negociações de cessar-fogo em meio ao conflito. Na época, entretanto, essas conversas foram negadas recorrentemente pelo Irã.

Autoridades americanas disseram à CNN anteriormente que a reunião provavelmente ocorrerá em Islamabad, com a presença de mediadores paquistaneses. O enviado especial de Trump, Steve Witkoff, seu genro, Jared Kushner, e o vice-presidente JD Vance devem comparecer.