'Irã colocou os Estados Unidos e o Ocidente de joelhos' com fechamento do Estreito de Ormuz, diz especialista
Israel bombardeou mais alvos no Líbano, nesta quinta-feira (09), tornando o cessar-fogo no Oriente Médio ainda mais frágil e sem sinais de reabertura do Estreito de Ormuz. Um desses ataques do exército matou o sobrinho de Naim Qassem, líder do Hezbollah. Ali Harshi também era secretário pessoal de Qassem. O grupo, no entanto, ainda não confirmou a informação.
O professor Pedro Costa Júnior, doutor em Ciência Política pela Universidade de São Paulo e analista de Relações Internacionais, em entrevista aos Jornal da CBN, faz uma análise do cenário atual no Oriente Médio. Ele destaca um cessar-fogo frágil entre Estados Unidos e Irã, com Israel intensificando bombardeios sobre o Líbano. Washington e Tel Aviv alegam que o Líbano não foi incluído na trégua anunciada na terça-feira à noite:
"Esse cessar-fogo é um cessar-fogo muito frágil. Veja, J.D. Vance, vice-presidente dos Estados Unidos, deu uma declaração de que o Líbano não entraria no cessar-fogo. Israel intensificou os bombardeios sobre o Líbano, inclusive sobre Beirute, a capital do Líbano. E, ao mesmo tempo, o Irã diz que o Líbano entra nesse cessar-fogo. O Paquistão, que tem sido o governo que está mediando esse acordo entre Irã e Estados Unidos, também diz que o Líbano entra nessa conta, ele entra nesse cessar-fogo. O cessar-fogo não é apenas ao Irã, é também ao Líbano".
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Teerã acusa Israel de ter violado o acordo ao atacar o Hezbollah em território libanês e fechou novamente o Estreito de Ormuz. Centenas de navios estão retidos no local. Pedro Costa Júnior destaca que, com o fechamento do Estreiro de Ormuz, o 'Irã colocou os Estados Unidos e o Ocidente de joelhos':
"É exatamente no fechamento do Estreito de Ormuz que o Irã colocou os Estados Unidos e o Ocidente de joelhos, o Ocidente coletivo de joelhos. Porque quando ele controla o Estreito de Ormuz, primeiro, ele proíbe que todos os aliados dos Estados Unidos e Israel passem pelo Estreito. Como nós sabemos, o estreito passa um terço do petróleo, do gás, da energia global. Então, isso afeta todas as economias do mundo. (...) E isso pega diretamente nos Estados Unidos, pega na popularidade de Trump. (...) Então, ele precisa da abertura desse estreito. É ali que o Irã estrangula todo o Ocidente, controlando o estreito. Acho que esse é um ponto central".
Nesta quinta-feira (09), o embaixador do Paquistão em Washington afirmou que o Líbano faz parte do acordo de cessar-fogo mediado pelo primeiro-ministro do país, mesmo que Israel e os Estados Unidos insistam no contrário.
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