Irã coloca mensagens anti-Trump em mísseis, citando Epstein e 'gangue criminosa da Casa Branca'

 

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A televisão estatal iraniana mostrou nesta quinta-feira (2) um vídeo mostrando membros da Guarda Revolucionária paramilitar do país colocando mensagens denunciando o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em mísseis que se preparavam para lançar.

Uma das mensagens mencionava o criminoso sexual Jeffrey Epstein e suas relações com Trump. Já outra escrevia, segundo a Associated Press:

'Agradeço a todos aqueles que, mesmo nos próprios Estados Unidos, condenam a guerra travada pela GANGUE CRIMINOSA NA CASA BRANCA'.

O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, respondeu as ameaças do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, alertando que os iranianos podem suportar qualquer agressão dos EUA.

Segundo ele, hoje o mundo está em uma 'encruzilhada'.

'Continuar no caminho do confronto é mais custoso e inútil do que nunca. A escolha entre confronto e diálogo é real e tem consequências; seu resultado moldará o futuro das próximas gerações. Ao longo de seus milênios de história gloriosa, o Irã sobreviveu a muitos agressores. Tudo o que resta deles são nomes manchados na história, enquanto o Irã perdura – resiliente, digno e orgulhoso'.

As afirmações foram feitas em uma publicação nas redes sociais.

Pezeshkian seguiu e não mencionou a oferta de cessar-fogo feita na semana passada por Donald Trump, ao acusar Israel de arrastar os EUA para a guerra contra o Irã.

'Não seria também o caso de os Estados Unidos terem entrado nessa agressão como um instrumento de Israel, influenciados e manipulados por esse regime?', questionou.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez diversas ameaças ao Irã durante seu discurso televisionado no fim da noite dessa quarta-feira (1). Ele alertou, por exemplo, que os EUA poderiam atingir todas as usinas de energia elétrica do Irã e até insinuou ataques contra a indústria petrolífera do país caso não haja acordo entre Washington e Teerã.

'Se não houver acordo, vamos atacar cada uma de suas usinas de geração de energia elétrica, com muita força e provavelmente simultaneamente. Não atingimos o petróleo deles, embora esse seja o alvo mais fácil de todos, porque isso não lhes daria nem uma pequena chance de sobrevivência ou reconstrução. Mas poderíamos o atingir e ele acabaria, e não haveria nada que eles pudessem fazer a respeito'.

Trump também afirmou que a mudança de regime nunca foi o objetivo dos Estados Unidos no Irã. Porém, defende ele, ela ocorreu por 'morte dos líderes originais'.

Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em declaração na Casa Branca.

ALEX BRANDON / POOL / AFP

Com isso, o presidente americano defendeu que os ataques seguirão por mais algumas semanas e prometeu fazer o país 'voltar à Idade da Pedra'.

'Vamos atacá-los com extrema força nas próximas duas ou três semanas, vamos fazê-los voltar à Idade da Pedra, onde eles pertencem'.

Sem fazer um anúncio objetivo sobre os rumos da guerra, Trump reafirmou que o conflito vai durar mais duas ou três semanas. O presidente americano tem enfrentado uma queda na popularidade com a dos preços do petróleo e da gasolina no mercado americano.

Em uma pesquisa Reuters/Ipsos realizada de sexta-feira a domingo, 60% dos eleitores disseram que desaprovavam a guerra, enquanto 35% a aprovavam. Cerca de 66% dos entrevistados disseram que os Estados Unidos deveriam trabalhar para encerrar rapidamente seu envolvimento na guerra, mesmo que isso signifique não atingir as metas estabelecidas pelo governo.

Ao declarar vitória e dizer que destruiu a capacidade de Teerã realizar um ataque contra o país, Trump minimizou a alta no preço dos combustíveis e afirmou que a reabertura do Estreito de Ormuz interessa mais aos países europeus.

O presidente americano disse, porém, que após a guerra a passagem por onde circula 20% da produção mundial de petróleo “vai reabrir naturalmente”.

Donald Trump ainda classificou o novo grupo que assumiu o Irã após a morte do aiatolá Ali Khamenei de “menos radical e mais razoável”.

O republicano fez uma ameaça e disse que, se não houver acordo, irá atingir cada uma das usinas de geração de energia iranianas.

Em resposta ao discurso de Trump, o porta-voz do Comando das Forças Armadas do Irã afirmou que a guerra vai continuar até a rendição e o arrependimento do inimigo.

Donald Trump durante ataques contra o Irã.

Daniel Torok / Casa Branca