Irã atinge instalações de energia na Arábia Saudita e no Catar em onda de retaliação contra países que abrigam bases dos EUA

 

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No terceiro dia consecutivo de bombardeios contra os países do Golfo que abrigam bases dos Estados Unidos, responsáveis pelo ataque coordenado com Israel contra a República Islâmica no último sábado, o Irã mirou uma central elétrica e um complexo de tratamento de gás no Catar nesta segunda-feira. A Arábia Saudita, que condenou os “ataques iranianos flagrantes e covardes” no final de semana, também informou que um “incêndio limitado” na refinaria de Ras Tanura foi controlado nesta segunda. Os ataques não provocaram vítimas.

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Segundo o Ministério da Defesa do Catar, dois drones iranianos — que teriam como alvo a região de Riad e a Província Oriental — atacaram as instalações, mas foram “interceptados com sucesso”. A empresa estatal de energia, então, suspendeu a produção de gás natural liquefeito após os ataques.

"Devido a ataques militares contra as instalações operacionais da QatarEnergy na Cidade Industrial de Ras Laffan e na Cidade Industrial de Mesaieed, no Catar, a QatarEnergy interrompeu a produção de gás natural liquefeito (GNL) e de produtos associados", afirmou a empresa, em um comunicado.

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De acordo com a empresa, os locais atingidos foram Ras Laffan — a principal unidade de produção de gás natural liquefeito do país, que fica a 80 km ao norte da capital — e o reservatório de água de uma usina elétrica em Mesaieed, outra base crucial para a produção de gás natural, 40 km ao sul de Doha.

O preço do gás europeu, que já registrava uma forte alta na manhã de segunda-feira, subiu mais de 50% após o anúncio da suspensão da produção de GNL.

O Catar é um dos maiores produtores mundiais de gás natural liquefeito, ao lado de Estados Unidos, Austrália e Rússia. O país compartilha com o Irã a maior reserva de gás natural do mundo.

Guerra ampliada

Para vingar a morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, e de vários dirigentes da República Islâmica, Teerã lançou mísseis contra diversos países do Oriente Médio, incluindo aqueles que abrigam bases americanas. Um levantamento divulgado pela rede catari Al Jazeera indica que, até a manhã desta segunda-feira, ao menos 12 países já haviam sido atingidos direta ou indiretamente pela escalada militar.

Os confrontos e ataques já alcançaram Irã, Israel, Bahrein, Iraque, Jordânia, Kuwait, Omã, Catar, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Líbano e Chipre. Em muitos casos, os projéteis foram interceptados por sistemas de defesa aérea, mas ainda assim houve mortos, feridos e danos a infraestrutura civil e militar.

O mapa dos ataques retaliatórios do Irã contra Israel, bases militares dos Estados Unidos e países do Golfo

Arte O Globo

No Bahrein, mísseis atingiram a área onde está o quartel-general da 5ª Frota da Marinha dos EUA, em Juffair. Um trabalhador asiático morreu depois que destroços de um míssil interceptado caíram sobre uma embarcação em manutenção. Já no Iraque, ataques envolvendo posições ligadas a milícias apoiadas por Teerã deixaram dois combatentes mortos e cinco feridos, segundo autoridades locais e fontes do grupo Kataib Hezbollah.

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Outros países registraram interceptações e danos pontuais. A Jordânia afirmou ter derrubado dezenas de drones e mísseis que cruzaram seu espaço aéreo. Em Omã, ataques com drones e um incidente envolvendo um petroleiro deixaram cinco pessoas feridas. No Catar, projéteis atingiram a base aérea de Al Udeid, que abriga forças americanas, e deixaram ao menos 16 feridos.

Na Arábia Saudita, ataques tiveram como alvo áreas próximas a instalações estratégicas, incluindo regiões com infraestrutura petrolífera, embora não haja registro de vítimas. Nos Emirados Árabes Unidos, ao menos três pessoas morreram e dezenas ficaram feridas após destroços de mísseis e drones caírem em áreas residenciais em Abu Dhabi e Dubai.

O Líbano também entrou na lista de países afetados após ataques aéreos israelenses que, segundo o Ministério da Saúde local, mataram ao menos 31 pessoas e feriram quase 150. Em paralelo, o Hezbollah afirmou ter lançado foguetes e drones contra uma base militar perto de Haifa, no norte de Israel.

Além disso, um drone iraniano atingiu uma pista de pouso em uma base militar britânica no Chipre, ampliando ainda mais o alcance geográfico do conflito.

(Com AFP)