Irã ameaça com confisco de bens e até pena de morte para cidadãos que vivem no exterior

 

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O governo do Irã ameaçou os cidadãos do país que moram no exterior e que poderiam 'colaborar com os inimigos' de diversas sanções caso isso seja descoberta. Entre essas punições estão o confisco de bens no solo iraniano e até mesmo pena de morte em casos mais graves.

Segundo comunicado da Procuradoria-Geral do país, esse apoio está diretamente relacionado ao 'agressor americano-sionista', se referindo aos Estados Unidos e Israel.

O resultado de um apoio com qualquer tipo de informação ou até mesmo protestos em comemoração em outro país, resultaria na perda de propriedades e mais sanções legalmente aplicadas. Além disso, 'ações operacionais' feitas para os EUA, Israel ou outro país inimigo, será punível com pena de morte.

No dia em que foi anunciada a morte do líder supremo, Ali Khamenei, diversos iranianos realizaram manifestações e comemorações em países do mundo, como na Europa, Austrália e Canadá, contrários ao regime.

Irã descarta falar sobre cessar-fogo com EUA e Israel agora: 'assunto irrelevante'

Mojtaba Khamenei, novo líder supremo do Irã.

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Em uma coletiva de imprensa nesta segunda-feira (9), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baghaei, respondeu sobre a guerra que envolve o país e os Estados Unidos e Israel.

Segundo ele, o plano americano é de 'dividir' o 'nosso país para se apoderar ilegalmente de nossas riquezas petrolíferas'.

'O objetivo deles é violar nossa soberania, derrotar nosso povo e minar nossa humanidade'.

Baghaei, apesar disso, afirmou que o 'povo iraniano está totalmente preparado para defender sua pátria'.

O porta-voz ainda acusou os Estados Unidos de 'afundarem' as negociações diplomáticas em andamento.

'Eles desencadearam uma guerra enquanto estávamos totalmente engajados em um diálogo diplomático (...) Não iniciamos nem começamos esta guerra. Não é uma guerra de escolha. É uma guerra de necessidade que nos foi imposta'.

Questionado sobre possíveis esforços de mediação para um cessar-fogo, Baghaei disse que discussões sobre tal tema são 'irrelevantes' no momento.

'Neste momento, os confrontos militares ainda estão em curso. Neste ponto, falar de qualquer assunto que não seja a defesa de nossa pátria é irrelevante'.

Ele ainda afirmou que os ataques conjuntos entre EUA e Israel contra o país colocaram em risco todas as leis internacionais e violaram todas as 'normas e práticas'.

Essas são as primeiras falas após a eleição do novo líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei.

A Assembleia de Especialistas do Irã nomeou o filho do aiatolá Ali Khamenei como o novo líder supremo do país. O órgão convocou o povo iraniano a manter a unidade e jurar lealdade ao novo líder.

Ali Khamenei estava no poder desde 1989 e foi morto em um bombardeio conduzido por Estados Unidos e Israel no fim de fevereiro. Mojtaba Khamenei, de 56 anos, é considerado um representante da linha dura e por laços estreitos com a elite da Guarda Revolucionária do Irã.

Segundo a imprensa iraniana, Mojtaba também perdeu recentemente a mãe, a esposa e um filho pequeno nos ataques.

Nos últimos dias, o Exército israelense atacou um prédio ligado à Assembleia de Peritos durante uma reunião de aiatolás para definir o novo líder supremo do Irã.

Antes do anúncio do novo líder supremo, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez novas ameaças e afirmou que o sucessor de Ali Khamenei "não vai durar muito" se não tiver a aprovação americana.