Irã afirma que não negociará com os EUA por 'falta de confiança' na diplomacia americana

 

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O Irã disse nesta quarta-feira (25) que não negocia e nem negociará com os Estados Unidos porque não é possível confiar na diplomacia americana. A afirmação é do porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, primeira grande autoridade do governo iraniano a comentar abertamente sobre o tema.

Ele rejeitou os esforços de mediação, citando a traição à diplomacia quando o Irã foi atacado duas vezes durante negociações nucleares anteriores, antes do início do conflito.

Baghaei disse que o Irã não pode confiar na diplomacia americana e que as forças armadas iranianas estão focadas na defesa do território do país. Ele reconheceu que vários países, incluindo o Paquistão, ofereceram mediação, mas enfatizou que o Irã está sob bombardeio constante.

'Temos uma experiência catastrófica com a diplomacia americana. Fomos atacados duas vezes em um intervalo de nove meses, enquanto estávamos em meio a um processo de negociação para resolver a questão nuclear. Isso foi uma traição à diplomacia – uma expressão agora amplamente usada no Irã – e aconteceu não uma, mas duas vezes. Ninguém pode confiar na diplomacia americana. Nossas bravas forças armadas estão atualmente focadas em defender o território e a soberania do Irã contra esta guerra brutal e ilegal', declarou.

O porta-voz ainda declarou que os ataques militares americanos partiram de bases em países do Golfo Pérsico e que o Irã está exercendo seu direito à autodefesa, conforme o Artigo 51 da Carta da ONU.

Na entrevista, ele também explica que o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, é o responsável pela diplomacia externa do Irã.

'O Presidente do Parlamento, Sr. Ghalibaf, é um político de alto escalão que atua dentro dos mandatos e atribuições conferidos pela Constituição. A divisão de trabalho entre nossas autoridades é clara e transparente. No momento, estamos 100% focados em defender a soberania e o território do Irã contra esses ataques brutais'.

Irã está cobrando pedágio de US$ 2 milhões para navios passarem no Estreito de Ormuz, diz agência

Ilha de Kharg serve como ponto estratégico do Estreito de Ormuz para o Irã.

2026 Planet Labs PBC/Divulgação

O Irã está liberando a passagem de alguns navios pelo Estreito de Ormuz. Se, em alguns casos, isso acontece mediante negociação entre o país e o governo iraniano, na maior parte dos casos é através de uma espécie de pedágio.

A agência de notícias Bloomberg destaca que alguns petroleiros sim retomaram a travessia, pagando um valor que chega a US$ 2 milhões.

Do outro lado, Teerã enviou uma carta à Organização Marítima Internacional anunciando que Ormuz está aberto a embarcações 'não hostis'.

O petróleo estendeu as quedas na abertura do mercado internacional, enquanto as ações asiáticas subiram nas primeiras negociações. O Brent, referência global, recuou mais de 2%, cotado a 94 dólares. A queda é uma resposta do mercado aos movimentos mais recentes da guerra no Oriente Médio.

Segundo o jornal The New York Times, um plano de paz enviado pelo governo americano ao Irã contém 15 pontos e propõe um cessar-fogo de 30 dias. Em troca, o regime se comprometeria em acabar com todo o enriquecimento de urânio e suspender o financiamento a grupos como o Hamas, na Faixa de Gaza, e o Hezbollah, no Líbano.

O acordo também fala em transformar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e gás, numa zona de livre navegação.

Ataques contra instalações energéticas do Irã em Isfahan.

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