Irã afirma que Israel deve aceitar cessar-fogo também no Líbano e alerta para 'consequências'
O embaixador e representante do Irã nas Nações Unidas em Genebra, na Suíça, Ali Bahreini, afirmou nesta quarta-feira (8) que Israel deve respeitar o cessar-fogo também no Líbano.
Segundo ele, qualquer ataque adicional complicaria a situação e teria consequências. A informação foi divulgada pelo jornal libanês L'Orient Le Jour.
Israel voltou a atacar posições do Hezbollah em cidades no sul do Líbano. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que acatará o cessar-fogo em relação ao Irã, mas manterá a ofensiva contra o Líbano.
Em uma publicação na sua rede social Truth Social nesta quarta-feira (8), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, revelou que o Irã concordou em não enriquecer urânio e que 'muitos' dos pontos foram acordados.
Segundo ele, os EUA com os iranianos 'desenterrarão e removerão toda a "poeira" nuclear profundamente enterrada (dos bombardeiros B-2)'.
'Ela está, e tem estado, sob rigorosa vigilância por satélite (Força Espacial!). Nada foi tocado desde a data do ataque. Estamos, e continuaremos, negociando o alívio de tarifas e sanções com o Irã', revelou.
Além disso, o republicano comentou que países que fornecerem 'armas militares ao Irã' serão taxados em 50% sobre todos os produtos vendidos aos Estados Unidos da América, 'com efeito imediato'.
Representantes dos Estados Unidos e do Irã devem se reunir na sexta-feira (10) no Paquistão para negociar um plano de paz definitivo. O convite foi feito pelo primeiro-ministro paquistanês, que intermediou o cessar-fogo de duas semanas fechado nesta terça-feira (7) entre o presidente Donald Trump e o regime iraniano.
A trégua foi anunciada 90 minutos antes de expirar o prazo dado pelo presidente americano em que ele ameaçava “exterminar a civilização iraniana” se o Estreito de Ormuz não fosse reaberto.
Os americanos anunciaram a interrupção imediata dos ataques e garantiram que Israel faria o mesmo. Em troca, Teerã anunciou a reabertura da rota estratégica, por onde passa um quinto da produção global de petróleo e gás.
Trump confirmou que recebeu uma proposta de Teerã com 10 pontos, que incluem a permanência do controle do Irã sobre o Estreito de Ormuz e a suspensão de todas as sanções americanas.
O plano exige o fim das agressões americanas e israelenses; a aceitação do enriquecimento de urânio do Irã; e a revogação das resoluções do Conselho de Segurança da ONU e da Agência Internacional de Energia Atômica, relativas ao programa nuclear iraniano.
A proposta também cobra “compensação integral” pelos danos da guerra; a retirada de todas as forças de combate americanas das bases no Oriente Médio; e o fim da guerra em todas as frentes, inclusive no Líbano.
Secretário de Defesa dos EUA diz que Irã 'implorou' por cessar-fogo
Secretário de Defesa, Pete Hegseth, durante discurso para militares.
ANDREW HARNIK / POOL / AFP
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira (8) no Pentágono que o Irã 'implorou por esse cessar-fogo, e todos nós sabemos disso'.
Ele acrescentou que o programa de mísseis do Irã está 'funcionalmente destruído' e que as fábricas do país foram 'arrasadas'.
'A Operação Fúria Épica foi uma vitória histórica e esmagadora no campo de batalha. Uma vitória militar com V maiúsculo, sem dúvida', continuou.
Hegseth teceu elogios ao presidente dos EUA, Donald Trump, afirmando que o presidente tinha o poder de paralisar toda a economia do Irã em minutos, 'mas escolheu a misericórdia'.
O Irã aceitou o acordo de cessar-fogo 'sob pressão esmagadora' porque estava 'sem opções e sem tempo', segundo ele.
Trump havia dado ao Irã um prazo até às 21h dessa terça (7) para reabrir o Estreito de Ormuz ou enfrentar a destruição, alertando que 'toda uma civilização morrerá' se Teerã não concordasse com um acordo.
Hegseth descreve a 'devastadora derrota militar' do Irã, afirmando que os EUA e Israel 'alcançaram todos os objetivos conforme o planejado, dentro do prazo, exatamente como estabelecido desde o primeiro dia'.
Ele afirma que, na noite passada, os EUA lançaram uma onda de mais de 800 ataques que 'acabaram por destruir completamente a base industrial de defesa do Irã, um pilar fundamental de nossa missão'.
O Irã ainda pode disparar, diz Hegseth, mas seu comando e controle estão 'tão dizimados que eles não conseguem se comunicar e coordenar, então ainda podem disparar aqui e ali. Mas isso seria muito, muito imprudente'.
O secretário de Defesa dos EUA afirmou que o material nuclear do Irã seria removido nos termos de um acordo e descartou qualquer capacidade futura de produzir armas nucleares.
'Qualquer material nuclear que eles não devam possuir será removido', disse ele.
