Irã afirma que aliados dos EUA que tentarem reabrir Estreito de Ormuz serão considerados 'cúmplices'
O ministro das Relações Exteriors do Irã, Abbas Araghchi, declarou nesta quinta-feira (19) que os aliados dos Estados Unidos que tentarem ajudar o país a reabrir o Estreito de Ormuz correm o risco de serem considerados 'cúmplices' em crimes de guerra.
A afirmação foi feita em uma conversa com o também ministro das Relações Exteriores do Japão, Toshimitsu Motegi. Araghchi afirmou que a situação atual no Estreito foi causada pelos Estados Unidos e por Israel, informou o Ministério das Relações Exteriores do Irã em uma publicação no Telegram.
Ele alertou que a participação de qualquer país na tentativa de romper o bloqueio iraniano constituiria 'cumplicidade na agressão e nos crimes hediondos cometidos pelos agressores'.
Abbas disse ainda nesta quinta que o conflito entre os Estados Unidos e Israel com o Irã 'está prestes a atingir a economia americana', citando um artigo do jornal The Washington Post com um pedido do Pentágono por dinheiro para o conflito.
Segundo o chefe da diplomacia de Teerã, 'esses 200 bilhões de dólares são apenas a ponta do iceberg. Os americanos comuns podem agradecer a Benyamin Netanyahu e seus capangas no Congresso pelo 'imposto Israel First' de US$ 1 trilhão que está prestes a atingir a economia dos EUA.'
Em uma mensagem no X, Araghchi definiu o conflito como uma 'guerra de escolha, imposta tanto a iranianos quanto a americanos'.
O Pentágono solicitou à Casa Branca a aprovação de um pedido do Congresso para mais de US$ 200 bilhões (cerca de R$ 1,51 trilhão) para financiar a guerra no Irã. A informação é do jornal The Washington Post, que cita fontes afirmando que o valor excede os gastos atuais do governo com a operação contra o Irã.
A reportagem não conseguiu descobrir se a Casa Branca de fato solicitará esse montante ao Congresso. Porém, as expectativas de uma resposta positiva para o valor são baixas já que, segundo alguns funcionários do governo, o pedido do Pentágono é irrealista.
Esse valor ultrapassaria em muito os custos da campanha maciça de ataques aéreos do governo até o momento e, em vez disso, buscaria aumentar urgentemente a produção de armamentos críticos utilizados nos ataques das forças americanas e israelenses a milhares de alvos nas últimas três semanas, de acordo com outras pessoas familiarizadas com o assunto, que confirmaram que o Pentágono está buscando pacotes desse porte.
O presidente Donald Trump fez campanha prometendo acabar com o aventureirismo americano no exterior e criticou frequentemente o governo Biden pela quantia de dinheiro aprovada para financiar a guerra na Ucrânia. Em dezembro, o Congresso havia aprovado cerca de US$ 188 bilhões em gastos para a guerra na Ucrânia, de acordo com o inspetor-geral especial dos EUA para a Operação Atlantic Resolve.
O custo da guerra no Irã cresceu rapidamente, ultrapassando US$ 11 bilhões (cerca de R$ 57 bilhões) somente na primeira semana, segundo diversas autoridades.
Mesmo antes da guerra no Irã, Trump já havia proposto um orçamento de defesa de US$ 1,5 trilhão, um aumento de mais de 50% em relação ao ano anterior. Ainda não se sabe como, e se, o orçamento suplementar poderá ser contabilizado nesse total.
Secretário de Trump afirma que guerra com o Irã não será 'sem fim' e chama europeus de 'aliados ingratos'
Secretário de Defesa, Pete Hegseth, durante discurso para militares.
ANDREW HARNIK / POOL / AFP
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, afirmou nesta quinta-feira (19) em uma coletiva de imprensa no Pentágono que o país não está se encaminhando para uma 'guerra sem fim' com o Irã, descrevendo a operação como 'extremamente focada e decisiva'.
Hegseth prestou homenagem às tropas americanas que foram mortas até agora no conflito do Oriente Médio.
Ele afirmou que os EUA estão 'vencendo de forma decisiva e em nossos termos' e que os resultados dos ataques ao Irã 'falam por si mesmos', declarando que os EUA atingiram mais de sete mil alvos no Irã.
O secretário de Defesa disse ainda que a capacidade do Irã de fabricar novos mísseis balísticos foi duramente afetada.
Pete Hegseth declarou aos repórteres que os objetivos continuavam sendo destruir os lançadores de mísseis do Irã, sua base industrial de defesa e sua marinha, além de nunca permitir que o Irã obtivesse uma arma nuclear.
O chefe da Defesa dos EUA acrescentou que países de todo o mundo, incluindo 'aliados ingratos' na Europa, deveriam agradecer a Trump por intervir no Irã.
