Irã afirma não ter recebido plano de 15 pontos de Trump; Agência cita conversa para reunião presencial

 

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Após o Paquistão ter dito que o Irã recebeu a proposta de um plano de 15 pontos para um acordo de paz com os Estados Unidos, o governo iraniano voltou a negar qualquer tipo de negociação em curso com os EUA e declarou não saber nada sobre o plano.

Inicialmente, o embaixador do Irã no Paquistão, Reza Amiri Moghadam, declarou que os detalhes foram ouvidos pela mídia, mas que, até o momento, 'não houve negociações, diretas ou indiretas, entre os dois países'.

Ele acrescentou que é 'natural que países amigos estejam sempre em consulta com ambos os lados para pôr fim a essa agressão ilegítima'.

Do outro lado, a Rússia foi questionada sobre o plano, afirmando que não recebeu por parte do Irã nenhuma confirmação sobre a proposta. A afirmação é do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Apesar disso, a agência de notícias Reuters afirma, citando uma fonte iraniana do alto escalão, que o Paquistão entregou uma proposta dos EUA a Teerã, e o local das negociações ainda está sendo discutido.

O presidente Donald Trump voltou a dizer que os Estados Unidos estão negociando o fim da guerra contra o Irã. O republicano disse que a Casa Branca está "conversando com as pessoas certas" em Teerã para encerrar a guerra, sem citar nenhum nome.

Trump contrariou a versão do Irã, que nega oficialmente ter se engajado em qualquer negociação com o governo americano desde o início dos combates.

'Eles vão fazer um acordo, eles vão fazer um acordo. Eles fizeram algo ontem que foi realmente incrível. Eles nos deram um presente e o presente chegou hoje. Foi um presente muito grande, que vale uma quantia tremenda de dinheiro. Não vou falar o que esse presente é, mas é relacionado a gás e óleo e foi uma coisa muito boa que eles fizeram, mas o que isso me mostrou é que estamos lidando com as pessoas certas'.

Trump também disse que os iranianos concordaram em "nunca desenvolver armas nucleares".

As declarações acontecem enquanto o Irã segue negando a existência de negociações e reafirma que vai participar das conversas apenas quando Israel e os Estados Unidos pararem com os ataques aéreos.

Segundo o jornal The New York Times, um plano de paz enviado pelo governo americano ao Irã tem 15 pontos. E propõe um cessar-fogo de 30 dias. Em troca, o regime se comprometeria a acabar com todo o enriquecimento de urânio e suspender o financiamento a grupos como o Hamas, na Faixa de Gaza, e o Hebollah, no Líbano.

O acordo também fala em transformar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e gás, numa zona de livre navegação – sem o controle do Irã.

O Financial Times publicou uma reportagem afirmando que o Irã informou aos Estados-membros da Organização Marítima Internacional que "embarcações não hostis" vão poder transitar pelo Estreito de Ormuz.

O comunicado foi feito após um grupo de 22 países composto por membros da Otan e aliados do Oriente Médio, da Ásia e da Oceania preparar uma "iniciativa" para reabrir o Estreito de Ormuz e "assegurar" a navegação segura e livre de navios.

Em meio a incertezas sobre as negociações entre Estados Unidos e Irã para encerrar o conflito no Oriente Médio, o preço do petróleo voltou a subir nesta terça-feira e ficar acima de 100 dólares por barril, após ter despencado mais de 10% na segunda-feira.

Uma pesquisa divulgada pela agência de notícias Reuters mostrou que Donald Trump chegou ao menor nível de aprovação desde o retorno à Casa Branca, com 36 por cento. E 61 por cento reprovam os ataques contra o Irã.

Nesta terça, Irã e Israel trocaram novos ataques. O ministro da Defesa israelense falou que o país vai estabelecer uma "zona de segurança" no sul do Líbano após destruir pontes na região. Segundo o governo de Israel, as estruturas eram utilizadas pelo Hezbollah.

O governo libanês diz que os ataques são uma tentativa de isolar geograficamente o sul do país e faz parte de planos suspeitos para estabelecer uma 'zona-tampão’.

Irã está cobrando pedágio de US$ 2 milhões para navios passarem no Estreito de Ormuz, diz agência

Ilha de Kharg serve como ponto estratégico do Estreito de Ormuz para o Irã.

2026 Planet Labs PBC/Divulgação

O Irã está liberando a passagem de alguns navios pelo Estreito de Ormuz. Se, em alguns casos, isso acontece mediante negociação entre o país e o governo iraniano, na maior parte dos casos é através de uma espécie de pedágio.

A agência de notícias Bloomberg destaca que alguns petroleiros sim retomaram a travessia, pagando um valor que chega a US$ 2 milhões.

Do outro lado, Teerã enviou uma carta à Organização Marítima Internacional anunciando que Ormuz está aberto a embarcações 'não hostis'.

O petróleo estendeu as quedas na abertura do mercado internacional, enquanto as ações asiáticas subiram nas primeiras negociações. O Brent, referência global, recuou mais de 2%, cotado a 94 dólares. A queda é uma resposta do mercado aos movimentos mais recentes da guerra no Oriente Médio.

Segundo o jornal The New York Times, um plano de paz enviado pelo governo americano ao Irã contém 15 pontos e propõe um cessar-fogo de 30 dias. Em troca, o regime se comprometeria em acabar com todo o enriquecimento de urânio e suspender o financiamento a grupos como o Hamas, na Faixa de Gaza, e o Hezbollah, no Líbano.

O acordo também fala em transformar o Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da produção mundial de petróleo e gás, numa zona de livre navegação.