Irã acusa EUA de 'atrocidade' após afundamento de fragata perto do Sri Lanka: 'Lamentarão amargamente'; vídeo

 

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O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, acusou os Estados Unidos de cometer uma “atrocidade” ao afundar um navio de guerra da República Islâmica nas proximidades da costa do Sri Lanka nesta quarta-feira e advertiu que Washington “lamentará amargamente” o precedente estabelecido.

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Em publicação na rede social X, Araghchi afirmou que a ação ocorreu a cerca de 2.000 milhas (3.200 quilômetros) do território iraniano.

“Os Estados Unidos perpetraram uma atrocidade no mar, a 2.000 milhas das costas do Irã. A fragata Iris Dena, convidada pela Marinha da Índia e com quase 130 marinheiros a bordo, foi atacada em águas internacionais sem aviso prévio”, escreveu o chanceler.

E acrescentou: “Lembrem-se das minhas palavras: os Estados Unidos lamentarão amargamente o precedente que estabeleceram”.

O secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, confirmou o torpedeamento de um navio iraniano na região, sem nomeá-lo, no que descreveu como o primeiro afundamento do tipo realizado por Washington desde a Segunda Guerra Mundial — embora episódios semelhantes tenham ocorrido depois de 1945, como um navio indiano foi afundado pelo Paquistão em 1971, e na Guerra das Malvinas, em 1982.

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Autoridades do Sri Lanka afirmaram ter atendido a um pedido de resgate naval, nomeando a embarcação do Irã, apontando que 32 pessoas foram resgatadas com vida e que haveria ao menos 87 mortos. Acredita-se que ainda haja parte da tripulação desaparecida.

— Um submarino americano afundou um navio de guerra iraniano que pensava estar a salvo em águas internacionais — afirmou Hegseth nesta quarta-feira, após os relatos oficiais do Sri Lanka sobre a operação de resgate aos tripulantes do Iris Dena. — Em vez disso, foi afundado por um torpedo.

Veja vídeo do afundamento divulgado pelo Pentágono:

Submarino americano afunda navio de guerra iraniano perto do Sri Lanka

A Marinha do Sri Lanka foi a primeira a informar sobre o afundamento da embarcação, ao informar ter respondido a um pedido de socorro transmitido pela embarcação a partir de uma posição fora de suas águas territoriais, mas dentro da chamada "zona de busca e resgate" do país. Dois navios e um avião militares foram mobilizados na operação de resgate.

O pedido de socorro foi emitido pela embarcação americana ao amanhecer, a cerca de 25 milhas náuticas (por volta de 40 km) ao sul do porto de Galle. Cerca de uma hora depois, as equipes de resgate chegaram ao local, mas já não conseguiram ver o navio, deparando-se apenas com manchas de óleo na água e botes salva-vidas flutuando.

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— Encontramos pessoas flutuando na água, as resgatamos e, posteriormente, ao investigarmos, descobrimos que eram tripulantes de um navio iraniano — afirmou o porta-voz militar Budhika Sampath, acrescentando que o resgate foi autorizado para se fazer cumprir as obrigações internacionais do país em relação ao socorro naval.

A agência de notícias AFP informou que a polícia reportou um total de 87 pessoas mortas. Mais cedo, autoridades militares haviam dito que corpos tinham sido retirados do local do pedido de socorro.

Marinheiro iraniano ferido é socorrido em hospital no sul do Sri Lanka

Ishara S Kodikara/AFP

Em uma aparição no Parlamento para prestar esclarecimentos sobre o resgate, o ministro das Relações Exteriores do Sri Lanka, Vijitha Herath, afirmou que a documentação da embarcação indicava a presença de 180 tripulantes. Se as informações repassadas até o momento forem precisas, isso indicaria que 68 tripulantes seguem desaparecidos.

Autoridades de Israel e dos EUA afirmaram que um dos objetivos da operação conjunta contra o Irã é a destruição das capacidades navais do regime dos aiatolás. Washington anunciou na terça-feira que 17 embarcações militares de Teerã já teriam sido afundadas até o momento.

No mesmo pronunciamento em que se manifestou sobre o afundamento do navio iraniano no Índico, o secretário de Defesa dos EUA afirmou que Washington continuará a "caçar, desmantelar, desmoralizar, destruir e derrotar" as forças iranianas, prometendo que "mais e maiores ondas estão a caminho". Ele chamou o ataque de "morte silenciosa", e mencionou o fato deste ser o primeiro torpedeamento pelos EUA de um navio inimigo desde a Segunda Guerra Mundial.

— Assim como naquela guerra — disse Hegseth. —Estamos lutando para vencer. (Com AFP)