IR 2026: com novo 'cashback', ter chave Pix vinculada ao CPF é indispensável, entenda
A Receita Federal anunciou nesta segunda-feira que, na declaração do Imposto de Renda de 2026, será criado um 'cashback'. Contribuintes que não fizeram a declaração de ajuste anual mas que teriam restituição a receber serão contemplados com um Pix automático deste valor em suas contas em julho. A previsão é beneficiar 4 milhões de brasileiros.
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Mas só será contemplado quem, até lá, tiver uma chave Pix cadastrada em seu CPF. Por isso, especialistas em segurança alertam: se você nunca fez um cadastro para Pix com seu CPF, vale a pena tomar essa providência agora, até para evitar golpes.
É importante ainda checar se já foi criada, em algum momento, uma chave Pix vinculada ao seu CPF — você mesmo já pode ter feito isso no passado e se esquecido; ou um golpista pode ter fraudado os seus dados. (veja abaixo como consultar que chaves Pix estão vinculadas a seu nome)
Desde 2022, o contribuinte que tem restituição a receber na declaração do Imposto de Renda, pode optar por receber o dinheiro via Pix. Então, para qualquer contribuinte que tenha restituição a receber, ter a guarda da sua chave Pix é importante.
Segundo o especialista em cybersecurity e professor do Instituto Brasileiro de Cibersegurança, Higor Giordani, os golpes podem ocorrer tanto quando a vítima ainda não tem o CPF cadastrado como chave Pix como quando já tem.
— Geralmente os golpistas usam uma engenharia social, enviando links falsificados com um texto similar, logo parecida e aparência semelhante ao de um site do governo, por exemplo, oferecendo algum serviço ou falando de algum valor a ser ressarcido e a pessoa acaba se cadastrando, colocando o CPF e assim o criminoso acaba obtendo o documento— disse o professor.
Com os dados em mãos, os criminosos vinculam o CPF da vítima a uma conta laranja em uma instituição financeira e, assim, podem ter acesso a valores a serem recebidos no futuro, como por exemplo, o cashback do IR 2026.
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Quando o contribuinte já tem uma chave Pix cadastrada no CPF, o golpe pode ocorrer através da falsa portabilidade da chave entre bancos.
— O golpista se passa por uma instituição financeira, por exemplo, envia um um link fraudulento, a pessoa preenche os dados pedidos e acaba aceitando a portabilidade da chave Pix para uma conta terceira do golpista — explicou Giordani. — Os golpistas também podem se passar pela Receita, pedirem o cadastro da chave e utilizar os dados para pedir portabilidade ou cadastro.
De acordo com Higor, a portabilidade da chave Pix não é oferecida diretamente pelos bancos.
Orientações para evitar esse tipo de fraude e proteger a chave Pix:
A Receita Federal, assim como outros órgãos oficiais, não envia SMS, WhatsApp ou e-mails solicitando cadastro de chave Pix no CPF;
A portabilidade da chave Pix não é oferecida ativamente por instituições financeiras;
É importante verificar logos, erros de digitação e prestar atenção às URLs dos sites;
Evitar colocar a senha da conta gov em qualquer site, páginas oficiais do governo terminam em “gov.br”.
O professor também destacou que é possível consultar onde suas chaves Pix estão cadastradas por meio do sistema Registrato, do Banco Central, para ter mais controle e evitar fraudes. Além disso, ele recomenda que o CPF seja utilizado como chave Pix apenas para recebimento de valores de órgãos governamentais.
— O ideal é que as pessoas utilizem o CPF exclusivamente para esse tipo de transação e adotem outras chaves, como e-mail ou chave aleatória, para receber valores de terceiros. Isso porque, ao usar o CPF como chave Pix em transações comuns, a pessoa pode expor dados sensíveis, como o próprio CPF e informações bancárias, aumentando os riscos de fraude.
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Como consultar as chaves Pix cadastradas em meu nome?
Acesse o site https://www.bcb.gov.br/meubc/registrato;
Entre no Registrado com sua conta gov.br;
Na aba do campo esquerdo, clique em registrato e depois em chave Pix;
Clique em gerar relatório; solicitar para mim e escolha o tipo de relatório que quer gerar. Há dois disponíveis, um com as chaves atuais ou outro com as chaves atuais e excluídas;
Depois, aceite os termos de ciência e responsabilidade e clique em gerar relatório.
Quem tem direito ao cashback do Imposto de Renda?
Ao apresentar as regras para o IRPF 2026, o secretário especial da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, explicou que o novo cashback busca alcançar trabalhadores que tiveram imposto retido na fonte em algum momento do ano, mas que não são obrigados a declarar o Imposto de Renda e, por isso, acabam não pedindo a restituição.
— Muitas pessoas têm direito a restituição e nem sabem disso. Houve uma retenção na fonte em determinado mês, mas elas não são obrigadas a declarar. Como não fazem a declaração, acabam não recebendo o valor de volta — explicou Barreirinhas.
É o caso, por exemplo, de quem estava desempregado e começou a trabalhar no fim do ano. Esse trabalhador pode ter sofrido o desconto mensal do IR no seu salário mas, quando considerada a renda anual, deveria ter recolhido menos de imposto e, por isso, tem restituição a receber.
Quando vai ser pago?
De acordo com o secretário, a Receita prepara um lote especial de restituição automática, previsto para ser pago em 15 de julho, para devolver esses valores.
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A estimativa da Receita é que este lote especial do IR com o cashback alcance 4 milhões de contribuintes, com um valor total de R$ 500 milhões em restituições. O maior cashback previsto deve ser de R$ 1.000 e o valor médio de restituição, de R$ 125.
Como funcionará o 'cashback' do IR 2026?
De acordo com a Receita, o novo mecanismo foi possível após uma ampliação do uso de dados do eSocial, que permitiu a identificação de contribuintes com imposto retido e direito à devolução, mesmo sem declaração apresentada.
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O modelo prevê que a própria Receita elabore uma declaração automática, utilizando as informações disponíveis em seus sistemas.
Entre os critérios para receber a restituição automática estão:
contribuinte não ter sido obrigado a declarar em 2025;
não ter entregue a declaração do IRPF 2025;
ter direito a restituição de até R$ 1 mil;
possuir CPF regular e baixo risco fiscal;
ter chave Pix vinculada ao CPF.
De acordo com a Receita, o baixo risco fiscal significa que as informações disponíveis nas bases do Fisco não indicam inconsistências que poderiam levar a declaração para a chamada malha fina. A ideia é evitar que a Receita gere automaticamente uma declaração que, posteriormente, apresentaria problemas.
Caso o contribuinte queira, será possível cancelar ou retificar a declaração automática gerada pela Receita, inclusive para incluir deduções legais.
Tira-dúvidas
Os leitores podem enviar suas dúvidas para o e-mail ir@oglobo.com.br . Dentro do possível, elas são esclarecidas nas matérias publicadas no ambiente especial sobre o Imposto de Renda (oglobo.globo.com/economia/imposto-de-renda). O sócio de impostos da EY, Antonio Gil, também vai tirar dúvidas em vídeos publicados na mesma página.
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