iPhone é o modelo de celular mais cobiçado pelos ladrões no Rio, apontam dados de plataforma de bloqueio do governo
Thais Gava, de 36 anos, caminhava distraída pela Rua Professor Alfredo Gomes, via lateral ao Botafogo Praia Shopping, na Zona Sul. Estava usando o celular, modelo mais atual da Apple. Enquanto checava mensagens e atualizações nas redes sociais, um motociclista passou ao seu lado e puxou o aparelho desbloqueado da mão dela. Pensando num possível prejuízo financeiro, correu para casa para tentar bloquear os aplicativos bancários. O trajeto foi feito em apenas dez minutos. O ladrão foi mais rápido: nesse tempo conseguiu gastar mais de R$ 1.400 com a compra de bebidas alcoólicas em um aplicativo de delivery, além de tentar acessar Pix e transferências financeiras.
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O furto do celular de Thais, um iPhone 17 Pro Max, foi registrado na 10ª DP (Botafogo), em 14 de dezembro do ano passado. Ela precisava do documento impresso para acionar o seguro — que, como descobriu posteriormente, só reembolsaria 70% dos mais de R$ 10 mil pagos pelo modelo. Aparelhos como o usado por ela são os mais cobiçados por criminosos no estado do Rio, conforme mostram dados do Celular Seguro BR, serviço do governo federal, obtidos pelo GLOBO por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI).
De 19 de dezembro de 2023 a 10 de abril deste ano, foram 12.387 roubos e furtos de iPhones, em um total de 33.629 notificações. O número, no entanto, pode ainda ser maior, já que muitas vítimas não registram os crimes na plataforma do governo. Thais, por exemplo, desconhecia serviço. Outras marcas que aparecem no relatório como as mais roubadas são Samsung (11.283), Motorola (5.458) e Xiaomi (3.451).
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Capital lidera casos
O Instituto de Segurança Pública (ISP), vinculado à Secretaria de Estado de Segurança Pública do Rio, apresenta números mais fiéis da quantidade de roubos. Contudo, não há disponibilidade de informações sobre as marcas e modelos de celulares subtraídos. Considerando apenas os roubos, mais de 53.800 casos foram registrados em delegacias entre dezembro de 2023 e março de 2026 — o acumulado de abril ainda não está disponível.
— É um sentimento muito ruim, difícil até de explicar. É um bem que a gente custa para comprar e que tem a nossa vida toda conectada ali. Se os ladrões roubassem apenas o aparelho, seria um pouco mais fácil de lidar. Mas não. Eles limpam a gente. Roubam o dinheiro que está em contas bancárias, nossos dados, acessam e-mail, mudam senhas. É um transtorno — resume Thais.
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Os dados do Celular Seguro BR também mostram que o Rio é o segundo estado no ranking com mais roubos e furtos desses objetos no País, atrás apenas de São Paulo, que registrou 58.131 casos. A capital e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, se destacam na distribuição espacial: 24.596 e 1.368 casos, respectivamente.
Para combater os casos, a Polícia Civil iniciou, em maio de 2025, a Operação Rastreio, focada no enfrentamento da cadeia criminosa envolvida na subtração, comercialização e receptação de celulares. Como resultado, mais de 13 mil aparelhos foram recuperados e 4.400 devolvidos aos donos. Até o momento, 900 pessoas foram presas, entre autores de roubos, furtos e receptadores.
— O celular, hoje, concentra praticamente toda a vida da pessoa: dados pessoais, senhas, contas bancárias e informações sensíveis que, muitas vezes, acabam sendo usadas até para chantagem. Esse tipo de crime não é isolado; ele está inserido em uma cadeia estruturada, que envolve facções criminosas e quadrilhas especializadas na subtração, comercialização e receptação. Nosso trabalho visa à desarticulação desses crimes, protegendo a população — reforça o delegado André Neves, diretor do Departamento-Geral de Polícia Especializada.
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Bloqueio instantâneo
Lançado no final de 2023, o Celular Seguro BR, iniciativa do Ministério da Justiça e Segurança Pública, tem como diferencial o bloqueio instantâneo de celulares roubados, furtados ou perdidos, barrando acessos a contas de serviços e bancos em, no máximo, 10 minutos. A ferramenta, que tem versões no portal Gov.br e em aplicativo, funciona como um “botão de segurança”, podendo ser acionado tanto pela vítima como por alguém de confiança previamente cadastrado. Após o registro no site, é preciso guardar o número do protocolo e também registrar ocorrência em delegacia.
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