Encontrar um bom endereço corporativo na Zona Sul do Rio foi, durante muito tempo, quase um exercício de garimpo.
A oferta de escritórios era pequena e, quando surgia, nem sempre atendia às exigências das empresas.
No Leblon e em Ipanema, a escassez era ainda mais evidente — um cenário que começou a mudar à medida que as construtoras identificaram o descompasso entre a demanda e a disponibilidade de imóveis comerciais na região.
Uma delas foi a Balassiano Engenharia, que percebeu essa lacuna quando buscava um novo endereço para ampliar a própria sede.
A dificuldade de encontrar imóveis adequados no Leblon e em Ipanema acabou revelando uma oportunidade de mercado: a empresa decidiu mudar os planos para um prédio recém-adquirido na Rua Visconde de Pirajá, inicialmente destinado a um residencial, e transformá-lo em um edifício corporativo.
“Quando buscávamos um espaço mais amplo para a sede da empresa, nos deparamos com uma situação inusitada: praticamente não havia ambientes com 250 metros quadrados disponíveis nos dois bairros.
A vacância era zero.
Aí percebemos a demanda reprimida e decidimos mudar o projeto para atendê-la”, afirma Gabriel Pecly, responsável por Novos Negócios da Balassiano.
Com entrega prevista para o fim de agosto, o Visconde Corporate Boutique é um empreendimento “greenfield” erguido no terreno do antigo Hotel San Marco, integralmente destinado à locação, que será administrado pela própria Balassiano.
O edifício terá até 23 espaços divididos em duas configurações: meia laje, com 120 metros quadrados, e laje corrida, de 255.
No Leblon, o Rythme, “retrofit” do edifício corporativo, acrescentará 20 mil metros quadrados à oferta para locação no bairro.
Serão 13 andares, além do “rooftop”
HSI/DIVULGAÇÃO
O projeto da Cité Arquitetura incorporou sugestões da equipe da construtora, com soluções voltadas ao conforto e à eficiência operacional, como vestiários e um elevador adicional para reduzir o tempo de espera.
O projeto também contempla mobilidade, acessibilidade e conectividade, com infraestrutura para bicicletas elétricas, gerador nas áreas comuns e previsão de equipamentos individuais para espaços privativos.
Os aluguéis variam de R$ 280 a R$ 300 por metro quadrado.
No Leblon, a HSI está prestes a entregar o Rythme, edifício corporativo retrofitado que acrescentará 20 mil metros quadrados à oferta para locação no bairro.
Serão 13 andares, além do “rooftop”, com lajes de 1,5 mil metros quadrados.
Lançado em 2023, o projeto tem como parceiros a Performance e a SIG Engenharia.
Segundo Bruno Greve, sócio e diretor de Real Estate da HSI, a estratégia é atender a dois perfis de locatários: empresas que não encontravam espaço em edifícios “triple A” do Leblon e aquelas já instaladas no bairro, mas interessadas em trocar prédios mais antigos por endereços com infraestrutura atualizada.
“A demanda está forte.
Há conversas avançadas com companhias de portes variados, principalmente instituições financeiras, empresas de mídia e energia, escritórios de advocacia e gestoras de investimentos”, diz Greve.
O aluguel do metro quadrado está em torno de R$ 350.
O Essência, também no Leblon, lançado em 2024 e projetado pelo arquiteto André Piva, reúne cem unidades e 20 lojas — apenas uma ainda está disponível para locação
MOZAK/DIVULGAÇÃO
A Mozak também tem reforçado seu portfólio corporativo no Leblon com o Máris e o Afrânio, que se somam ao Essência, lançado em 2024.
Projetado pelo arquiteto André Piva, o empreendimento reúne cem unidades e 20 lojas — apenas uma ainda está disponível para locação.
Os endereços atraíram principalmente empresas do segmento de “wellness”, como clínicas de estética, academia e salão de beleza.
“Está no nosso DNA criar lajes com assinatura de arquitetos renomados e romper com o conceito de prédio corporativo bruto.
Buscamos oferecer espaços com arquitetura mais leve, que funcionem quase como uma extensão da casa de nossos clientes”, explica Breno Elehep, sócio da Mozak.
Ipanema e Leblon entram no radar corporativo
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