Ioga facial: saiba como a prática pode (ou não) transformar seu rosto

 

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Com milhões de visualizações no TikTok, o ioga facial entrou de vez nas rotinas de beleza de quem busca alternativas naturais para cuidar da pele. O método combina movimentos suaves e repetitivos focados na musculatura do rosto e viralizou com promessas de efeito "lifting", redução de linhas de expressão e contorno facial mais firme, tudo sem agulhas ou procedimentos invasivos.

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Na prática, os exercícios envolvem alongamentos, pequenas pressões e toques com os dedos em diferentes grupos musculares da face. Os vídeos mais populares da trend trazem rotinas de três a dez minutos, e influenciadoras afirmam que é possível perceber resultados visíveis em poucas semanas, como redução de inchaço ao redor dos olhos, suavização de olheiras e melhora do contorno facial.

Yoga facial funciona? Dermatologista explica efeitos e limites da prática

Reprodução Instagram

Apesar da popularidade, especialistas alertam que os benefícios do ioga facial têm limites. O dermatologista Igor Manhães, da Onne Clinic (RJ), explica que "o ioga, na verdade, é uma prática cujo significado é união. Isso envolve fatores que vão muito além das posições ou movimentos do rosto".

Segundo ele, existem algumas aplicações de asanas para a face, mas "não são essas viralizadas no TikTok. Acabamos criando essa associação para viralizar, mas esses movimentos que são apresentados por essa maior quantidade de influências coreanas não vão prevenir o envelhecimento da pele."

O especialista detalha que os músculos que levantam o rosto ajudam a retardar os sinais de envelhecimento, enquanto os músculos que abaixam certas regiões, como a boca, "vão a favor da gravidade e envelhecem". Por isso, explica, a aplicação de toxina botulínica precisa ser muito bem direcionada.

"Temos que definir quais músculos queremos que continuem funcionando, para o rosto sempre estar com a capacidade de levantar, e tentarmos bloquear esses músculos depressores, que envelhecem o rosto", destaca.

Igor também observa que os movimentos mostrados nos vídeos são muito delicados e "não mudam muito o que irá alterar no futuro". Ele ressalta ainda que todos os praticantes que criam esse tipo de conteúdo geralmente têm uma rotina intensa de procedimentos e cuidados com a pele, com boa qualidade de pele, e que "podem ser por filtros também, mas precisamos refletir se seria somente o ioga facial que estaria promovendo os resultados que vemos nos vídeos."

Em termos de segurança, a prática não oferece riscos, já que são movimentos faciais naturais. Os efeitos percebidos se aproximam do que acontece em uma massagem facial, promovendo drenagem de edema, circulação linfática e leve redução de inchaço. Para quem apresenta flacidez acentuada ou sinais de envelhecimento mais marcantes, os resultados do ioga facial são menos perceptíveis. Como esclarece Manhães, "há uma repetição de movimentos, como, por exemplo, levantar a boca, como se fosse um sorriso, e não deixar a boca cair. Isso já fazemos no nosso dia a dia. Ter uma rotina desta prática não seria algo que iria mudar a longo prazo o seu processo de envelhecimento."

No fim, o ioga facial funciona principalmente como um complemento leve à rotina de cuidados: estimula a circulação, reduz temporariamente o inchaço e proporciona sensação de relaxamento. Entre trends virais e promessas de lifting natural, a orientação de um dermatologista continua sendo o caminho mais seguro para quem busca resultados duradouros e reais, sem depender apenas das promessas que circulam nas redes sociais.