Na maioria das noites, quando olhamos para o céu, vemos aquele ponto brilhante. É a nossa Lua, que gira em torno da Terra.
No entanto, não somos os únicos a ter a companhia de um satélite natural. Outros planetas no Sistema Solar possuem luas – alguns, mais de uma –, de tamanho, formatos e características geológicas das mais variadas.
Se a nossa Lua é relativamente simples, as outras não são. Uma tem gases vulcânicos cheios de enxofre, outras têm oceanos internos e uma tem até atmosfera como a Terra.
Especialistas ouvidos pelo Metrópoles listam alguns dos satélites mais curiosos da nossa vizinhança. Io é a quarta maior lua do Sistema Solar e foi descoberta em 1610 pelo astrônomo histórico Galileu Galilei.
“Io exibe muitas cores intensas, predominando o amarelo, laranja e vermelho relacionados aos gases vulcânicos ricos em enxofre”, descreve o pesquisador Álvaro Crósta, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC). Das 95 luas que Júpiter possui, Io é a que está mais próxima do planeta.
Entre as principais características do satélite destacam-se os vulcões e as erupções, que podem lançar material vulcânico a centenas de quilômetros de altura. Segundo o astrônomo Thiago Gonçalves, a atividade vulcânica de Io está ligada à proximidade com Júpiter, um planeta bastante massivo e com gravidade extremamente forte.
“A atração gravitacional é diferente entre o lado de Io mais próximo do planeta e o lado mais distante. É como se o interior da lua estivesse sendo constantemente apertado e espremido.
Esse processo gera muito calor e contribui para a intensa atividade vulcânica observada no satélite”, exemplifica Gonçalves, que é diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) apoiado pelo Instituto Serrapilheira. Mesmo sendo uma lua do mesmo planeta que Io, Europa tem uma característica totalmente distinta.
A superfície dela é coberta inteiramente por uma camada de gelo e há evidências fortes de que exista um oceano de água líquida abaixo dela. “Por causa dessa presença abundante de água líquida, Europa é um corpo celeste interessante para a busca por possíveis sinais de vida no Sistema Solar”, afirma Gonçalves.
O astrônomo William Herschel foi o responsável por descobrir, em 1789, Encélado, uma das 274 luas de Saturno. Apesar de ser de outro planeta, ela também possui um oceano subterrâneo — mas, segundo Gonçalves, o dela gera jatos de vapor e outros materiais que são lançados a grandes alturas, como acontece com um gêiser.
É justamente através desses jatos que os especialistas conseguem investigar o que existe abaixo da superfície do local. “Europa e Encélado possuem oceanos subterrâneos.
Eles ficam protegidos por uma crosta de gelo, que funciona como um isolante térmico. É como um lago congelado durante o inverno no Hemisfério Norte: a camada de gelo ajuda a preservar a água líquida abaixo dela”, explica o astrônomo Gonçalves.
Considerada a segunda maior lua do Sistema Solar, Titã foi descoberta em 1655. O que mais chama a atenção nela é ter atributos semelhantes aos da Terra, como o tamanho e a presença de atmosfera, nuvens, chuvas, rios e lagos.
“A atmosfera de Titã é 1,5 vez mais densa do que a da Terra, perdendo apenas para Vênus, que tem a atmosfera mais densa do Sistema Solar”, diz Crósta. Os especialistas explicam que a grande diferença de Titã para a Terra são os líquidos que circulam na lua de Saturno.
“Por lá, há bastante metano e etano, substâncias que, nas condições de temperatura da Terra, são normalmente encontradas na forma gasosa. Titã tem uma atmosfera com muito líquido e chuvas de metano”, diz Gonçalves.
A maioria das informações que os cientistas possuem sobre as mais diversas luas espalhadas pelo Sistema Solar vem de missões espaciais, especialmente as realizadas com sondas. Os veículos podem passar perto, permanecer em órbita ou até pousar na superfície para obter imagens e amostras desses locais, que são levados de volta à Terra para serem analisados.
Muitos outros detalhes ainda devem ser desvendados por novas missões. Uma das mais destacadas é a missão Europa Clipper, da Nasa.
Lançada em 2024, ela tem chegada ao sistema de Júpiter prevista para 2030. O objetivo é investigar mais a fundo a lua Europa.
“Houve propostas de missões para tentar perfurar a crosta de gelo e obter amostras do oceano subterrâneo de Europa. Não sei dizer se essa proposta específica continua em desenvolvimento, mas a ideia ilustra o tipo de investigação que gostaríamos de realizar no futuro”, destaca o astrônomo Gonçalves.
Caso o projeto dê certo, a expectativa é que os cientistas conheçam melhor o ambiente em que podem existir condições favoráveis à vida fora da Terra.
Metropoles