Investigado por atuação para o PCC usou heliponto do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de SP, em 2022
A Polícia Civil de São Paulo apura a utilização do heliponto do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, por um empresário investigado de lavar dinheiro para o PCC. O caso ocorreu em março de 2022, durante o último mês da gestão de João Doria, então no PSDB.
O local teria sido usado pelo empresário João Gabriel de Melo Yamawak, que está preso desde março deste ano por tráfico de drogas. Os investigadores descobriram que quem conseguiu a autorização para o pouso no Bandeirantes foi o ex-vereador de Santo André Thiago Rocha de Paula, também detido e suspeito de ser articulador político da organização criminosa.
Após descer no heliponto, Yamawak foi ao estádio do Morumbi, a menos de um quilômetro da sede do governo, para acompanhar um jogo do São Paulo.
Procurado, o ex-governador João Doria não quis se pronunciar. Segundo pessoas próximas a ele, as autorizações para pouso e decolagem no palácio nem chegam ao governador, o que é feito pela Casa Militar. A assessoria do Palácio dos Bandeirantes, sob gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos), não respondeu até a conclusão da reportagem.
Operação Contaminatio
A Polícia Civil de São Paulo prendeu, na segunda-feira (27), seis integrantes de uma organização criminosa suspeita de se infiltrar em prefeituras para lavar dinheiro obtido principalmente com o tráfico de drogas. Batizada de Operação Contaminatio, a ação também cumpriu 22 mandados de busca e apreensão e resultou no bloqueio judicial de mais de R$ 513 milhões em bens e ativos ligados aos investigados.
As diligências são conduzidas pela Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes (Dise) de Mogi das Cruzes e ocorrem simultaneamente em São Paulo, Guarulhos, Santo André, Mairinque, Campinas, Ribeirão Preto e Santos, além de Goiânia, Aparecida de Goiânia, Brasília e Londrina.
Segundo a polícia, a investigação é um desdobramento da Operação Decurio, deflagrada em agosto de 2024. Na ocasião, foram apreendidos dispositivos eletrônicos que, após análise, "revelaram um esquema sofisticado de movimentação financeira ilícita". A partir dos dados coletados e de relatórios de inteligência financeira, os investigadores identificaram uma estrutura voltada não apenas ao tráfico de drogas, mas também à lavagem de dinheiro.
De acordo com a apuração, a facção criminosa Primero Comando da Capital (PCC) teria criado um chamado “núcleo político”, destinado a acessar recursos públicos e ampliar seus negócios. Entre as estratégias identificadas estariam o apoio e o financiamento de candidaturas alinhadas aos interesses da organização.
A polícia também apontou o envolvimento de pessoas ligadas a administrações municipais, entre elas ao menos uma servidora comissionada que manteria relação com um integrante de alto escalão do grupo criminoso.
