Investigações apontam que servidor do BC já recebia vantagens indevidas de Vorcaro como diretor

 

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As investigações do caso Master têm evidências que o ex-diretor do Banco Central Paulo Souza já recebia "vantagens indevidas" de Daniel Vorcaro na época que o servidor liderava a diretoria de Fiscalização do órgão. Souza esteve à frente da diretoria entre setembro de 2017 e julho de 2023. Os indícios foram identificados em apuração interna da autoridade monetária e enviados para a Polícia Federal, como pontuou o BC nesta quarta-feira.

As informações ajudaram a embasar a terceira fase da Operação Compliance Zero, autorizada pelo ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). Souza e outro servidor do BC, Belline Santana, foram afastados da autoridade monetária após a PF apontar suspeitas de que eles atuavam como “consultores informais” de Vorcaro, revisando documentos que seriam enviados ao regulador e o alertando sobre investigações internas. Procurado, Souza não respondeu os contatos.

Ambos já haviam deixado os cargos por decisão do BC no âmbito da investigação interna sobre o caso Master, revelada pelo GLOBO em janeiro. Na época, Belline era chefe de Departamento de Supervisão Bancária (Desup), e Souza, chefe-adjunto, responsável pelo monitoramento do Master.

A decisão de Mendonça não especifica o período em que Souza e Santana atuaram a favor de Vorcaro. Em um dos trechos, no entanto, há a menção a uma troca de mensagens em que o banqueiro parabeniza o ex-diretor pela nomeação como chefe-adjunto do Desup, indicando que a relação deles era mais antiga.

A investigação interna do BC sobre o caso Master foi iniciada após a liquidação do banco, que aconteceu em novembro de 2025. A intenção era avaliar os processos adotados na fiscalização da instituição financeira e na sua liquidação.

A apuração abarca todo o período de influência de Vorcaro na instituição, que começou em 2017, quando ele declarou interesse em assumir o então Banco Máxima, embora a mudança de controle só tenha acontecido em 2019. Nesse processo, foram encontradas fortes suspeitas de vantagens indevidas envolvendo Souza e Belline, cujas informações foram remetidas à PF.

Como os indícios remontam à época em que Souza estava na diretoria, o próximo passo do BC deve ser remeter os processos da investigação interna à Corregedoria-Geral da União (CGU), que é o órgão responsável para tratar de casos relativos à cúpula do BC.

Com os indícios apontados pela PF, a tendência de abertura de um processo administrativo (PAD), cujo desfecho pode ser a demissão dos servidores em definitivo, entre outras sanções.