Gaeco cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em Joinville e Penha; investigação apura negociação para alterar registros no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões Resumo e áudio gerados por inteligência artificial a partir do texto desta matéria.
Uma operação do Ministério Público de Santa Catarina investiga uma possível fraude no sistema nacional de medidas penais para ocultar mandados de prisão, incluindo um contra um condenado por estupro de vulnerável. Deflagrada na manhã desta terça-feira (3), a Operação Crackers cumpriu quatro mandados de busca e apreensão em Joinville e Penha, no Norte catarinense, além de uma ordem de prisão em Penha.
A ação foi conduzida pelo Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas), em apoio à investigação da 13ª Promotoria de Justiça da Comarca de Joinville. O caso apura a possível alteração fraudulenta de informações do BNMP (Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões).
As apurações indicam que um dos investigados teria intermediado uma negociação para modificar registros do BNMP. O objetivo seria impedir que consultas realizadas pelo nome de um condenado por estupro de vulnerável, de 49 anos, apontassem a existência de um mandado de prisão pendente.
Segundo os elementos reunidos durante a investigação, a negociação teria envolvido o próprio condenado e outra pessoa que seria responsável por realizar a alteração dos dados no sistema. O mandado de prisão contra o condenado foi cumprido em Penha.
A ordem havia sido expedida pela 2ª Vara Criminal da Comarca de Blumenau. Já os quatro mandados de busca e apreensão foram autorizados pela Vara Regional de Garantias de Joinville.
A Operação Crackers é um desdobramento da Operação Cavalo de Tróia, que investigava a entrada de relógios inteligentes, conhecidos como smartwatches, em uma unidade prisional. Durante as diligências relacionadas ao caso, os investigadores identificaram indícios de uma possível negociação para alterar informações no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões.
A suspeita levou à abertura de uma nova frente de investigação, voltada à manipulação dos registros do sistema. A ação desta terça-feira contou com o apoio do 8º Batalhão de Polícia Militar e do 1º Batalhão de Pronta Resposta da Polícia Militar.
O Sistema Estadual de Prerrogativas da OAB-SC (Ordem dos Advogados do Brasil em Santa Catarina) também acompanhou a operação. Os materiais de interesse investigativo apreendidos durante os mandados serão encaminhados à Polícia Científica para perícia.
Depois, os elementos obtidos serão analisados pelo GAECO para esclarecer como os fatos teriam ocorrido, identificar a participação de cada investigado e verificar a possível existência de outros envolvidos. A investigação tramita sob sigilo.
De acordo com o Ministério Público, novas informações poderão ser divulgadas após o levantamento do sigilo dos autos. O nome da operação faz referência ao termo “crackers”, utilizado para designar pessoas que empregam conhecimentos tecnológicos para invadir ou manipular sistemas, acessar dados indevidamente e realizar outras atividades ilícitas, inclusive mediante pagamento.
Yasmin Rech é jornalista em formação, integrante da equipe do ND Mais na redação de Joinville. Acompanha temas factuais da região Norte de Santa Catarina, como segurança, cidadania e infraestrutura, cobrindo cidades como Joinville, São Francisco do Sul e Jaraguá do Sul.
Estudante da Faculdade Ielusc (Instituto Superior e Centro Educacional Luterano), atua no Jornalismo desde 2024 e escreve reportagens que contextualizam desafios locais, especialmente nas áreas de mobilidade urbana, gestão pública e segurança. Acompanha as notícias da política catarinense e participa da cobertura das Eleições 2026 no ND Mais.
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