Investigação contra produtos da Ypê partiu de denúncia da Unilever
A investigação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que culminou com o recolhimento de lotes de produtos de limpeza da marca Ypê partiu de uma empresa concorrente, a Unilever.
A informação, noticiada hoje pelo jornal Folha de S.Paulo, foi confirmada de maneira independente pelo GLOBO.
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Fontes da Unilever afirmam que a denúncia foi feita de maneira pública em outubro do ano passado, usando uma plataforma da Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) além de um canal de comunicação formal com a Anvisa.
As informações foram repassadas às autoridades após a Unilever ter encontrado traços da bactéria Pseudomonas aeruginosa em amostras de sabão em pó da marca Tixan, que pertence à concorrente. Em comunicado à imprensa, a Unilever afirma que esse tipo de análise é praxe na indústria.
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"A Unilever mantém um compromisso com uma atuação ética e transparente", diz a nota. "A empresa realiza rotineiramente testes técnicos em seus produtos e eventualmente nas demais marcas do mercado. Esta é uma prática comum entre as indústrias do setor. A depender dos resultados destes testes, em respeito ao consumidor, as autoridades competentes são notificadas."
A Unilever afirma, porém, que não teve nenhum envolvimento nas inspeções da Anvisa que, posteriormente, levaram a Anvisa a suspender uma linha de produção da Ypê na sua fábrica em Amparo (SP) e a determinar o recolhimento de produtos feitos ali. Além de sabão em pó, foram alvo de recall marcas de detergente e desinfetante da Ypê.
"Quaisquer investigações são conduzidas exclusivamente pela autoridade, que avalia as diligências, fiscalizações e testes que entender necessários para a tomada de decisão", diz o comunicado. "A companhia reafirma seu compromisso e prioridade absoluta e inegociável com a saúde e segurança dos consumidores."
Procurada na manhã desta quinta-feira, a Ypê não se pronunciou ainda sobre o assunto. O Globo também pediu que a Senacon comentasse o procedimento que desencadeou as investigações, mas não recebeu resposta até a publicação desta notícia.
