Investigação aponta indícios de que Vorcaro, ex-sócio do Master e fundador da Reag aportaram R$ 1 bi no BRB
Uma auditoria apontou indícios de que nomes ligados ao Banco Master eram “investidores finais” de fundos que aportaram R$ 1 bilhão no Banco Regional de Brasília (BRB). Como mostrou O GLOBO, a suspeita é que a capitalização tinha como objetivo dar ao banco estatal maior capacidade para fazer negócios com a instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro.
Além do dono do Master, a cadeia de fundos responsável pelos aportes tinha como investidores Maurício Quadrado, seu ex-sócio, e João Carlos Mansur, fundador da gestora Reag, de acordo com pessoas com acesso à investigação independente, que foi contratada pelo próprio BRB.
Procurado, Quadrado negou, por meio de sua defesa, que a operação tenha tido por finalidade inflar ou artificialmente elevar o capital do BRB. A assessoria de Mansur disse que não iria se manifestar, e Vorcaro não respondeu.
O resultado da auditoria foi encaminhado à Polícia Federal (PF) e ao Banco Central (BC), na semana passada, e ao Supremo Tribunal Federal (STF) na terça-feira. O Master foi liquidado pelo Banco Central no fim do ano passado pela autoridade monetária e é alvo de investigação por suspeita de fraude ao sistema financeiro.
A apuração identificou que foram realizados dois aportes, no valor de R$ 250 milhões e R$ 750 milhões. A vantagem da capitalização em um banco é que ela pode alavancar (multiplicar) a capacidade de crédito da instituição. Além disso, poderia conferir maior capacidade para o BRB comprar o Master, o que veio a ser negociado posteriormente. O negócio, contudo, foi vetado pelo Banco Central.
Como efeito da auditoria conduzida pelo escritório Machado Meyer com apoio da Kroll, o BRB atualizou dados públicos sobre sua participação acionária, na última terça-feira. O banco controlado pelo governo do Distrito Federal informou que Mansur detém uma fatia de 4,553% da instituição.
Chamou a atenção da auditoria o fato de que a operação de capitalização, que inicialmente seria feita via oferta de ações (“follow-on”), ocorreu via subscrição. A principal diferença é que o segundo modelo garante preferência aos acionistas para comprar novas ações e manter sua participação, enquanto o follow-on é uma oferta aberta ao mercado.
A investigação apura agora se esses fundos se tornaram acionistas antes do aumento de capital para poder participar da subscrição privada. Os auditores também querem saber se a antiga direção do BRB sabia quem eram os beneficiários finais desses fundos.
Em comunicado ao mercado, o BRB informou na quarta-feira que o relatório da auditoria é preliminar, "com escopo delimitado a aspectos específicos da investigação independente, no qual foram identificados fatos que demandavam análise pelas autoridades competentes, com vistas à avaliação de eventual existência de atos ilícitos."
O BRB disse ainda que encaminhou a conclusão às autoridades para ciência e diligências necessárias.
