Investidores da Warner Bros. aprovam fusão de US$ 110 bi com a Paramount

 

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Os acionistas da Warner Bros. Discovery aprovaram, com ampla maioria, a fusão com a Paramount Skydance, apesar da ampla resistência de profissionais de Hollywood. A Paramount concordou em comprar a Warner Bros. por US$ 110 bilhões em fevereiro, após vencer uma disputa que durou meses com a Netflix.

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A nova empresa vai reunir grandes marcas de TV e cinema, como CNN, CBS, HBO e Nickelodeon, além de franquias de sucesso como Harry Potter, Game of Thrones, o Universo DC, Missão Impossível e o personagem Bob Esponja.

O acordo cria um gigante do entretenimento que deve mexer com um mercado de mídia já em crise, além de ser analisado de perto por autoridades, inclusive por suas ligações com o governo de Donald Trump. Os acionistas da Warner devem receber US$ 31 em dinheiro por cada papel quando a operação for concluída.

Os termos do acordo

A fusão ainda precisa ser aprovada por órgãos de concorrência em diferentes países, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia. Há também uma espécie de “compensação por atraso” (ticking fee). Se o negócio não for finalizado até 30 de setembro, os acionistas passam a receber US$ 0,25 por ação a cada trimestre até a conclusão.

Em comunicado, a Paramount afirmou que espera fechar a transação nos próximos meses e "concretizar a criação de uma empresa de mídia e entretnimento de próxima geração que atenda melhor tanto a comunidade criativa quanto os consumidores”, disse um porta-voz da empresa em comunicado.

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Os acionistas também votaram para rejeitar um pacote de remuneração para o CEO David Zaslav. A proposta incluía mais de US$ 500 milhões em ações e até US$ 335 milhões em possíveis reembolsos fiscais, valores considerados muito elevados.

David Zaslav, presidente e CEO do grupo Warner Bros. Discovery

VALERIE MACON / AFP

A recomendação de rejeição já havia sido feita pela consultoria Institutional Shareholder Services, que classificou o pacote como um dos maiores “paraquedas dourados” já vistos.

A votação sobre remuneração, no entanto, não é vinculante. Ou seja, não obriga a empresa a mudar o pacote.

Indústria se mobiliza contra fusão

Atores, roteiristas, diretores e outros profissionais de Hollywood se uniram contra a fusão com a Paramount, citando preocupações com perda de empregos, aumento dos custos de produção e menos opções para o público de cinema e televisão.

Mais de 4 mil pessoas, incluindo os atores Joaquin Phoenix, Glenn Close e Bryan Cranston, assinaram uma carta aberta contra o acordo no início deste mês.

A senadora Elizabeth Warren, democrata de Massachusetts, publicou nas redes sociais após a votação que o acordo ainda não está concluído. “Procuradores-gerais estaduais em todo o país estão se mobilizando para barrar esse desastre antitruste”, disse ela. “Precisamos continuar essa luta.”

Planos pós-fusão

O CEO da Paramount, David Ellison, já indicou quais devem ser os próximos passos caso a fusão seja concluída. Ele tem destacado o compromisso de aumentar a produção de filmes, afirmando que a empresa pretende lançar pelo menos 30 títulos por ano.

Estúdio da Warner Bros. em Burbank, Califórnia. Com o acordo de compra da Warner pela Paramount Larry e David Ellison influenciarão praticamente todos os setores de notícias, entretenimento e tecnologia

Philip Cheung/The New York Times

Ellison todos os filmes devem estrear primeiro nos cinemas e ficar em cartaz com exclusividade por no mínimo 45 dias antes de irem para outras plataformas.

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Se a fusão for barrada por órgãos reguladores, a Paramount terá que pagar uma multa de US$ 7 bilhões para encerrar o acordo. A empresa já pagou US$ 2,8 bilhões à Netflix em nome da Warner Bros. após a companhia de mídia desistir de um acordo com a plataforma de streaming.

As ações da Paramount caíam cerca de 4,6% nesta quinta-feira, com a maior parte da queda ocorrendo antes da votação. Já as ações da Warner Bros. permaneceram estáveis.