Invasão de polvos ameaça mariscos e sustento de pescadores no Sudoeste do Reino Unido; entenda
Uma proliferação sem precedentes de polvos nas águas britânicas tem devastado a pesca de mariscos no Sudoeste do Reino Unido e colocado em risco o sustento de dezenas de comunidades costeiras. Em apenas um mês do ano passado, mais de 400 toneladas de polvos foram desembarcadas — volume cinco vezes superior à média histórica, desde 1951 —, segundo dados do setor.
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De acordo com o The Sun, especialistas atribuem o fenômeno ao aquecimento das águas e à alteração das correntes marítimas, que estariam empurrando os cefalópodes para o norte, vindos da França e das Ilhas do Canal. O impacto é direto sobre caranguejos-castanhos, lagostas e vieiras, base da pesca local. A Associação de Biologia Marinha alertou que a proliferação atual é “a de maior impacto em um século” e advertiu que, se as condições persistirem, episódios semelhantes podem se tornar mais frequentes nos “mares em transformação”.
Crise econômica nas comunidades costeiras
Em Plymouth, o líder do conselho local, Tudor Evans, classificou a situação como uma crise prolongada. “É um desafio de longo prazo que exige uma solução de longo prazo”, afirmou. O pescador de caranguejos Brian Tapper disse que o negócio deixou de ser viável. “Antes tínhamos uma tonelada por dia; agora não tivemos nem isso em um ano. A tripulação foi embora porque não há renda”, relatou, comparando o avanço dos polvos a “uma praga de gafanhotos”.
Embora alguns pescadores tenham conseguido vender polvos, as perdas nas espécies tradicionais são severas: as capturas de caranguejo-marrom e caranguejo-rei caíram pela metade, e as de lagosta, em um terço. Além de consumir os mariscos, os polvos invadem armadilhas e devoram o conteúdo, reduzindo ainda mais a produtividade.
A crise ganhou destaque na Câmara dos Comuns. A deputada liberal-democrata Caroline Voaden, de South Devon, disse que pescadores perderam até 80% das capturas e passaram semanas recolhendo armadilhas vazias. “Isso força o cancelamento de manutenções e a dispensa de tripulantes”, afirmou, defendendo apoio urgente do governo para manter a atividade ou ajudar quem precisa sair do setor.
Parlamentares do partido também manifestaram preocupação. Alistair Carmichael, que preside a comissão de meio ambiente, alimentação e assuntos rurais, disse que a questão é “de importância crucial” e que resta saber se a invasão será permanente, como consequência do aumento da temperatura da água, ou um evento isolado, semelhante ao registrado na década de 1950. Sarah Dyke, porta-voz para assuntos rurais, alertou que o colapso nas capturas tem levado pescadores a considerar aposentadoria antecipada ou mudança de carreira, e pediu maior flexibilidade nas licenças para adaptação às mudanças ecológicas.
