O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), anunciou na terça-feira, às vésperas do pleito, a criação de um batalhão em que os policiais andarão em motos e portarão fuzis de forma ostensiva. Chamado de Batalhão de Resposta Avançada Operacional (Bravo), o grupo vai atuar no combate a alguns dos principais crimes do momento no estado, como o roubo praticado por falsos entregadores e a chamada “gangue do quebra-vidros”, entre outros. 'Ícone', condolências e vídeo com Jair: Presidenciáveis repercutem a morte do sertanejo Rick em acidente aéreo Caso Isabelle Caracristi: Namorado da jovem é preso após vítima ser encontrada morta em apartamento Coordenador da Escola de Segurança Multidimensional (Esem) da USP, Leandro Piquet avaliou como estranha a criação da nova unidade. — É uma proposta sem base nas evidências e nas boas práticas. O fuzil não tem nenhuma utilidade para reprimir esse tipo de crime, o roubo em ambiente urbano. Seu uso em áreas com aglomerados urbanos é praticamente inútil — diz. Já o professor da FGV e especialista em segurança pública Rafael Alcadipani afirma não ver problemas no batalhão, mas considera problemático o momento escolhido para lançar o programa: — Pode ser útil em algumas ocorrências. O momento é ruim, é a utilização da Polícia Militar para fazer propaganda política na véspera da eleição. O programa é citado no plano de governo do candidato, no tópico em que Tarcísio apresenta a promessa do chamado Centro de Inteligência e Inovação, que funcionaria 24 horas e reuniria todas as forças de segurança do estado. “Teremos mais tecnologia e inteligência para fortalecer a presença territorial, com policiamento ostensivo, criação de equipes táticas de atuação matricial e batalhão especializado de motocicletas, atendendo à transformação da dinâmica urbana das últimas décadas, em momentos com grande deslocamento de pessoas, nos parques, comunidades e ambientes de difícil acesso”, diz trecho do plano, protocolado no mês passado na Justiça Eleitoral de SP. Na terça-feira, o lançamento do programa contaria com a presença do governador. Mas uma hora antes, o Palácio dos Bandeirantes informou que Tarcísio não iria pois teria encontro com o senador Cleitinho (Republicanos), candidato ao governo de Minas Gerais. Incursões em favelas Ao todo, o grupamento contará com 250 policiais e 150 motocicletas. Todos os policiais do batalhão vão utilizar, durante o patrulhamento, câmeras acopladas aos uniformes. A justificativa da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo (SSP) para a criação do batalhão é a facilidade de deslocamento de policiais nas motocicletas. Motos, porém, são usadas pela PM paulista há décadas. A novidade é o porte de fuzis pelos PMs que estiverem na garupa. Além de atuar nas ruas, os agentes também participarão de incursões em favelas e áreas menos urbanizadas, sobretudo na periferia. A atuação dos policiais, segundo a SSP, será orientada por dados de estatísticas criminais e do Muralha Paulista, a rede de monitoramento do governo do estado. A partir da análise dos índices, o patrulhamento será concentrado nos locais que apresentarem maior incidência de roubos e furtos, diz a pasta. “O Bravo transforma informação em ação policial. A inteligência nos ajuda a identificar onde o crime está acontecendo e a mobilidade permite colocar rapidamente policiais preparados nesses pontos. É uma estrutura pensada para ampliar a presença do Estado e a capacidade de resposta onde ela é mais necessária”, diz o secretário de Segurança, Osvaldo Nico Gonçalves, em nota. A comandante-geral da Polícia Militar, coronel Glauce Cavalli, afirma que o novo batalhão vai reunir policiamento preventivo, apoio tático e atuação especializada. “As equipes poderão ser empregadas em patrulhamento ostensivo, abordagens, bloqueios, fiscalizações e intervenções de maior complexidade, conforme o planejamento operacional”, ressalta também em nota. Planejado desde março O batalhão é lançado a menos de duas semanas das eleições. A SSP diz, porém, que o programa vem sendo planejado desde março, e que os policiais vêm sendo treindados desde abril. A segurança é um dos principais temas das campanhas não apenas em São Paulo, mas no restante do país. Segundo pesquisa Quaest divulgada na semana passada, o tema segue a principal preocupação para 28% dos brasileiros.
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'Inútil' e 'propaganda política': especialistas criticam novo batalhão da PM anunciado por Tarcísio às vésperas da eleição
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O Globo
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