Interpretando personagem violento em 'Falando a real', Luke Tennie diz: 'Sou um dos caras mais felizes que conheci'

 

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Numa manhã recente de abril, o atarefado e simpático astro da série de comédia dramática “Falando a real”, da Apple TV, estava decidindo a quantidade de pimenta caiena a adicionar a uma panela fumegante:

— Vamos fazer algo mais suave hoje — disse.

Em “Falando a real”, que acaba de concluir sua terceira temporada e já foi renovada para uma quarta, Tennie interpreta Sean, um ex-soldado que administra um food truck de sucesso chamado Cajun Cruiser.

Em casa, em Los Angeles, onde mora com a esposa e duas filhas pequenas, Tennie, de 31 anos, cozinha a maior parte das refeições. Mas seu repertório pessoal ainda não inclui a culinária crioula ou cajun. Isso o levou à Abigail’s Kitchen, uma escola de culinária no Lower East Side, para aprender a fazer jambalaya, o prato típico cajun preparado numa única panela.

“Shrinking” foi a primeira vez que muitos espectadores notaram Tennie. Ultimamente, ele tem aparecido em vários programas de TV. Ele participa da atual temporada da comédia da ABC “Abbott Elementary” como um ex-aluno da escola, que agora retorna como professor novato. E, recentemente, ele se juntou ao elenco do sucesso da HBO Max, a série médica “The Pitt”, como um residente do turno da noite.

— Me sinto um pouco menos ansioso naquele set do que provavelmente me sentiria se tivesse que acompanhar o ritmo de muitos dos outros médicos — disse Tennie.

Ele parecia relaxado no restaurante Abigail’s Kitchen, enquanto a chef e proprietária, Abigail Hitchcock, dava facas de cozinha para Tennie e Noam Shapiro, seu amigo e barbeiro. Ela os colocou para trabalhar picando ingredientes essenciais da culinária cajun — cebola, pimentão e alho.

Estrelato

Formado pela American Musical and Dramatic Academy, Tennie tem bastante experiência. Começou a atuar no ensino médio, precisando cumprir um requisito eletivo. Ele percebeu como seu professor de teatro o olhava: da mesma forma que seu treinador de futebol olhava para os jogadores destinados ao estrelato.

Em seu conservatório, interpretou todos os tipos de papéis. Mas, depois de se formar e começar a fazer testes, ele era visto para um leque mais restrito de papéis — soldados, jogadores de futebol americano. Ele não se importava de usar uma jaqueta universitária, mas se sentia limitado.

— Eu adoro interpretar um jogador de futebol americano — disse ele. — Mas não gosto da ideia de que, por ter o aspecto de um, não seria capaz de interpretar um médico, como se um médico não pudesse ter jogado futebol no passado.

Em 2022, após participações na série adolescente sobre assassinos do Syfy, “Deadly Class”, e no reboot policial da CBS, “CSI: Vegas”, ele foi convidado para uma audição para “Shrinking”, comédia dramática criada por Bill Lawrence, Brett Goldstein e Jason Segel. Ele fez o teste para o papel de Sean, um veterano do Exército frequentemente furioso. Tennie encontrou uma suavidade no personagem, uma relutância que tornou a violência, quando finalmente acontecia, mais triste e surpreendente.

— A ideia de Luke desde o início era interpretar esse cara com uma quietude e uma doçura inerente — disse Lawrence em entrevista.

Isso fez de Sean alguém com quem era possível simpatizar, alguém que valia a pena acompanhar na jornada sinuosa de autoaperfeiçoamento.

Pessoalmente, Tennie é muito mais descontraído — faz piadas com facilidade e tem um andar leve. Essas características são em parte naturais e em parte técnicas que ele desenvolveu, como um homem negro de 1,90m e peito largo, para se movimentar com mais facilidade pelo mundo.

— Sempre demonstro alegria — disse. — Um sorriso é uma das coisas mais desarmantes quando as pessoas foram condicionadas socialmente a te ver como uma ameaça.

Em “Shrinking”, Tennie conteve um pouco dessa alegria, principalmente nos primeiros episódios, porque seu personagem ainda era desconfiado, ainda estava com raiva. Ele descobriu que gostava de interpretar essa raiva.

— Sou um dos caras mais felizes que já conheci — define. — E a emoção mais fácil para mim de interpretar é a raiva. Não sei por quê.

Mas então ele refletiu um pouco mais sobre isso. Ao crescer, ele foi incentivado a mascarar sua raiva. Sean não precisou fazer isso.

— Eu, como ator, pude passar um tempo em uma área que era proibida para mim — disse Tennie.

Quando “Shrinking” começou, Tennie tinha um perfil muito mais discreto do que seus colegas de elenco, como Segel, Harrison Ford e Jessica Williams. Ele gostava disso.

— Sou um ator coadjuvante excepcional e sou extremamente convencido disso — disse ele. — É a minha coisa favorita, porque não preciso fingir humildade.

Seu charme e segurança como ator atraíram a atenção de outros produtores. Ele se juntou ao elenco de “The Pitt” nos últimos episódios da segunda temporada, que terminou quinta-feira. Embora o ritmo da série seja frequentemente frenético, seu personagem, Dr. Crus Henderson, permanece sereno.

— Seu superpoder é a calma — disse Tennie. — Seu superpoder é a satisfação do cliente. Seu superpoder é: “Você precisa de mais alguma coisa?”