Internet é parcialmente restaurada no Irã após quase 90 dias sem acesso: 'bloqueio mais longo'
A conectividade com a internet no Irã foi parcialmente restaurada nesta terça-feira (26), após 88 dias e 2.093 horas de isolamento quase total das redes internacionais, informou o monitor de internet NetBlocks.
A NetBlocks descreveu o desligamento como 'o mais longo apagão nacional da internet na história moderna'.
O monitor afirmou que não estava claro se a restauração parcial seria mantida ou se seria algo provisório.
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O vice-presidente do Irã, Mohammad Reza Aref, afirmou nesta terça-feira (26) que o governo deu o primeiro passo rumo ao que chamou de acesso 'livre e regulamentado' à internet, após quase três meses de bloqueio nacional.
Ele afirmou que a reabertura ocorreu por ordem do presidente Masoud Pezeshkian e em conformidade com a promessa do governo.
O Irã prometeu que 'não deixará nenhum ato de agressão sem resposta' após o que chamou de 'violação flagrante' do cessar-fogo pelos Estados Unidos. Os EUA lançaram o que chamaram de ataques defensivos contra o Irã, em um contexto de cessar-fogo cada vez mais instável,
O Ministério das Relações Exteriores do Irã afirma que o exército americano 'cometeu uma violação flagrante do cessar-fogo na província de Hormozgan nas últimas 48 horas'.
'Sem dúvida alguma, a República Islâmica do Irã não deixará nenhum ato de agressão sem resposta e não hesitará minimamente em defender a soberania do Irã', afirmou o ministério.
Antes, a Guarda Revolucionária Iraniana afirmou ter o direito de responder a qualquer violação do cessar-fogo por parte dos EUA, após o governo Trump ter lançado ataques no sul do Irã nessa segunda-feira (25).
O Comando Central dos EUA classificou os ataques como 'autodefesa' e afirmou que eles visavam 'locais de lançamento de mísseis e embarcações iranianas que tentavam instalar minas'.
A Guarda Revolucionária Islâmica afirmou ter identificado 'caças e drones americanos invasores' em um comunicado divulgado pela mídia estatal - uma aparente referência aos ataques.
Em um comunicado, o grupo também afirmou ter abatido um drone MQ-9 quando este ativou suas defesas e também alegou ter forçado outro drone e um caça americano a 'fugir'.
Acrescentou ainda:
'A Guarda Revolucionária Islâmica alertou contra qualquer violação do cessar-fogo por parte do exército agressivo dos EUA e considera legítimo e certo o seu direito a uma resposta recíproca'.
Donald Trump, presidente dos Estados Unidos
Divulgação/Casa Branca
Conforme a autoridade do governo americano, os alvos incluíram locais de lançamento de mísseis e embarcações do regime iraniano que estariam instalando minas subaquáticas.
As ações foram realizadas em meio ao cessar-fogo e negociações entre Estados Unidos e Irã. A guerra começou no fim de fevereiro.
Mais cedo, as autoridades iranianas haviam reportado explosões na cidade de Bandar Abbas, no litoral sul do país, onde se encontra uma importante base militar das forças aérea e naval.
Antes dos ataques, na rede social Truth Social, o presidente Donald Trump afirmou que o urânio enriquecido do Irã será entregue aos Estados Unidos.
O Pentágono afirmou que foi uma ação defensiva e que vai continuar protegendo tropas americanas durante o cessar-fogo, em vigor desde 8 de abril.
A agência oficial de notícias do Irã classificou o bombardeio ao sul do país como uma declaração formal de guerra por parte de Washington.
O líder supremo iraniano afirmou que as potências do Golfo não serão mais um "escudo" para as bases militares americanas e que os Estados Unidos não terão mais um "porto seguro" na região.
Por causa do bombardeio americano, o preço do petróleo voltou a subir. O barril do tipo Brent, referência internacional, teve um aumento de quase 7%, saltando de 98 para 104 dólares e 52 centavos.
Apesar da ofensiva, o presidente Donald Trump reiterou que as negociações de paz com o regime iraniano estão prosseguindo bem.
Diplomatas dos Estados Unidos e do Irã participam de uma reunião de emergência na capital do Paquistão para tentar salvar o rascunho de um acordo de paz.
O ministro das Relações Exteriores do Paquistão desembarcou em Nova York e deve participar de um debate no Conselho de Segurança da ONU.
Embarcação no Estreito de Ormuz.
PUNIT PARANJPE /AFP
