A Intenção de Consumo das Famílias (ICF), calculada pela Confederação Nacional de Bens, Serviços e Turismo (CNC), caiu 0,3% em setembro, ante agosto, para 104,5 pontos, informou nesta quarta-feira (23) a organização. Com o recuo, o indicador registrou o menor patamar desde março deste ano (104,4 pontos). Incertezas sobre o futuro do mercado de trabalho levaram ao menor ímpeto de consumo no mês delineado na pesquisa, informou a CNC, em comunicado. Na comparação com setembro do ano passado, no entanto, o ICF subiu 2,9%, em setembro deste ano, completou ainda a confederação. Mas, dos sete tópicos usados para cálculo do ICF, quatro apresentaram recuo em setembro ante agosto. É o caso de renda atual (-0,1%), nível de consumo atual (-0,7%), perspectiva profissional (-0,7%), e momento para duráveis (-0,5%). Os que apresentaram aumento, na mesma comparação, foram emprego atual (0,1%) e acesso ao crédito (0,1%). Já a perspectiva de consumo teve estabilidade no mesmo período comparativo. Na comparação com setembro do ano passado, no entanto, apenas um tópico teve queda: perspectiva profissional (-8,6%). Os outros tópicos tiveram aumento: emprego atual (2%), renda atual (1,3%), nível de consumo atual (2,6%), perspectiva de consumo (4,3%), acesso ao crédito (8,7%), e momento para duráveis (17,2%). Os pesquisadores da CNC, no entanto, chamaram atenção para os recuos observados no tópico perspectiva profissional tanto ante mês anterior quanto em igual mês no ano passado. “Embora o recuo da inflação tenha favorecido a intenção de compra de bens duráveis no comparativo anual, os dados de setembro mostram que a preocupação com o futuro do mercado de trabalho fala mais alto no curto prazo, mantendo as famílias cautelosas para o consumo imediato”, disse o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros. “A renda do trabalhador já está comprometida com o crédito e precisa ser protegida junto com o emprego", completou. Tadros defendeu busca de soluções para manutenção de bons índices de emprego, presentes desde 2025, para os próximos meses.
As dúvidas sobre o emprego também influenciaram o resultado de nível de consumo, na pesquisa, detalhou ainda a CNC. Com o recuo de 0,7% em setembro, ante agosto, esse tópico caiu para 91,5 pontos, menor patamar desde janeiro (90,7 pontos). O recuo na intenção de consumo, mapeado pelo indicador, atingiu tanto a faixa de renda alta quanto a baixa, em setembro ante agosto, informou ainda a confederação. Nos consumidores com ganhos mensais até dez salários mínimos, o ICF caiu 0,2% no período. Nas pessoas com renda acima de dez salários mínimos, a intenção de consumo recuou 0,8% no mesmo período comparativo. E, no caso do tópico perspectiva de consumo, houve alta de 0,1% e queda de 0,1%, respectivamente, nas duas faixas de renda pesquisadas no ICF, em setembro ante agosto.
Fabiano Rocha/Agência O Globo
Valor