Inteligência: Rússia instala 'cavalos de Troia' perto de instalações civis e militares na Europa

 

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Um elemento mítico da literatura se tornou uma nova forma de fazer guerra para Moscou. De acordo com relatórios de Inteligência, espiões russos transformaram propriedades em toda a Europa Ocidental numa rede de "cavalos de Troia" (como na obra "Odisseia", de Homero, em referência a um grande cavalo de madeira supostamente construído pelos gregos durante a Guerra de Troia, como um estratagema decisivo de engano para a conquista da cidade fortificada de Troia, cujas ruínas estão em terras hoje turcas) projetada para desencadear uma campanha coordenada de sabotagem.

Aproveitando-se de fragilidades legais, unidades clandestinas russas são suspeitas de adquirir imóveis sensíveis próximos a instalações militares e civis em pelo menos uma dúzia de países europeus.

Casas de veraneio, chalés de férias, armazéns, escolas abandonadas, apartamentos urbanos e até ilhas inteiras teriam sido adquiridas por Moscou com a intenção de intensificar sua "guerra híbrida" contra o Ocidente. As propriedades seriam usadas como bases para vigilância coordenada, sabotagem e ataques secretos.

Oficiais da ativa e da reserva de três agências de inteligência europeias disseram ao "Telegraph" que temem que a Rússia já possua explosivos, drones, armas e agentes infiltrados em alguns desses locais, prontos para serem acionados em caso de crise.

Atos de sabotagem ligados a Moscou aumentaram consideravelmente desde a invasão da Ucrânia pela Rússia, há quatro anos. Alguns membros da comunidade de inteligência ocidental temem que esses incidentes sejam pouco mais do que "testes".

Em vez de lançar um ataque militar convencional, oficiais de inteligência afirmam que o Kremlin pode tentar testar a determinação da OTAN na "zona cinzenta", o espaço ambíguo entre paz e guerra, onde atores estatais (principalmente a Rússia) utilizam táticas híbridas — ciberataques, desinformação, sabotagem e drones. A ideia é orquestrar ataques que paralisem as redes de transporte, comunicação e energia, além de dificultar qualquer invocação do Artigo 5º da cláusula de defesa coletiva da aliança.

"Uma campanha de sabotagem tem menos probabilidade de gerar consenso em torno do Artigo 5º do que uma operação militar russa convencional", disse um oficial de inteligência. "A possibilidade de negar a autoria, plausível ou não, dificulta a atribuição e, sem certeza, torna-se muito mais complicado obter apoio", esclareceu ele.

Não à toa, Blaise Metreweli, a nova chefe do MI6, usou seu primeiro discurso no cargo para alertar que a Grã-Bretanha agora está "operando em um espaço entre a paz e a guerra".

"A Rússia está nos testando na zona cinzenta com táticas que estão logo abaixo do limiar da guerra", destacou ela em dezembro.

O cenário se tornou ainda mais complexo após declaração do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, no último fim de semana. Para ele, Vladimir Putin já iniciou uma Terceira Guerra Mundial contra o Ocidente:

"A Rússia quer impor ao mundo um modo de vida diferente e mudar as vidas que as pessoas escolheram para si mesmas."

Suspeita-se que Moscou utilize navios espiões e embarcações de frota paralela para posicionar sensores e explosivos detonados remotamente perto de cabos submarinos em águas britânicas e em outros locais. Ao adquirir propriedades próximas a bases militares ou infraestrutura civil vital, as autoridades acreditam que a Rússia possa estar seguindo uma estratégia semelhante em terra.