Inteligência artificial otimiza o mercado de consórcios, mas o olhar estratégico continua sendo essencial

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Vivemos um período em que a inteligência artificial amplia possibilidades diariamente. Mais do que incorporar novas ferramentas, esse cenário nos convida a repensar processos, desenvolver habilidades e encontrar maneiras diferentes de trabalhar. O setor de consórcios vive essa transformação, já implementando novas soluções, mas segue atento para preservar a confiança que sustenta a relação com seus consorciados.

Um estudo publicado em junho deste ano pela Amcham Brasil, em parceria com a Humanizadas, ouviu mais de 600 executivos brasileiros e chegou a um retrato interessante: 84% das empresas consultadas já utilizam IA, mas, para 61% delas, os resultados ainda são pontuais, sem impacto significativo no negócio. O dado mostra que adotar novas tecnologias não significa, necessariamente, saber utilizá-las de forma estratégica. Em muitos casos, ainda faltam direcionamento claro e equipes preparadas para incorporar esses recursos ao dia a dia de maneira eficiente. No setor de consórcios, a IA tem sido muito utilizada para simulações personalizadas, validação de documentos e acompanhamento de lances e comissões. Mas além da automação de processos, outro exemplo que considero positivo é a criação de agentes de IA generativa desenvolvidos especificamente para este universo, capazes de ouvir, compreender e antecipar as necessidades de clientes e consultores. Para os clientes, a assistente virtual atua como uma parceira atenta, capaz de monitorar e analisar comportamentos, esclarecer dúvidas e identificar questões que muitas vezes não são expressas, mas que influenciam a jornada de compra e o relacionamento com a marca. Já para o time de vendas, a IA funciona como uma aliada no dia a dia, oferecendo suporte em tempo real, fazendo análises, relembrando procedimentos e executando comandos, como envio de segunda via de boletos ou acompanhamento de contemplações, com agilidade e precisão. Iniciativas como essa nascem com um objetivo bastante claro de aprimorar, simplificar e personalizar a relação com o cliente, sem jamais substituí-la. Essa é, aliás, a condição que deve orientar qualquer estratégia de IA no setor. O consórcio é um produto que envolve planejamento de médio e longo prazo, e decisões que impactam a vida das pessoas continuam demandando escuta e confiança. A IA entra como aliada dos milhares de consultores de vendas espalhados pelo Brasil, ajudando a otimizar o atendimento e liberar tempo para que o contato consultivo, aquele que realmente entende o momento de vida de cada cliente, seja ainda mais qualificado. Nesse contexto, o ponto de partida não deve ser o uso da tecnologia por si só, e sim os problemas reais que se pretende resolver, com processos bem estruturados e dados organizados o suficiente para sustentar decisões consistentes. Sem esse cuidado, o investimento em inovação corre o risco de não se traduzir em ganhos concretos, nem para o negócio, nem para o consumidor. Para as administradoras, o desafio, e também a oportunidade, está em usar essas tecnologias para tornar processos mais simples, sempre a serviço das pessoas, sem perder de vista o que torna o consórcio um instrumento tão relevante: ajudar milhões de brasileiros a transformar seus planos em conquistas. *Tatiana Schuchovsky Reichmann é CEO da Ademicon Mais Lidas

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