Integrante do PCC foi autorizado a pousar helicóptero no Palácio dos Bandeirantes, aponta investigação
A Polícia Civil de São Paulo investiga uma suspeita de infiltração do PCC em prefeituras do estado. A apuração ganhou novos desdobramentos após a análise de celulares apreendidos que revelou que um integrante da facção recebeu autorização para pousar um helicóptero no heliponto do Palácio dos Bandeirantes, em março de 2022, para assistir a uma partida no estádio do Morumbis.
Seis pessoas foram presas nesta semana durante a operação, que teve como alvo o chamado "núcleo político" da facção. Entre os investigados está o ex-vereador de Santo André, Thiago Rocha de Paula, do PSD, apontado como articulador do esquema. O grupo teria atuado para lavar dinheiro do tráfico por meio da infiltração em prefeituras da Grande São Paulo e também do interior.
Ao todo, mais de R$ 500 milhões foram bloqueados pela Justiça. Também foram cumpridos 22 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Goiás, Paraná e no Distrito Federal.
Segundo a Secretaria de Segurança Pública, a quadrilha criou um "núcleo político" para acessar recursos públicos e tentar influenciar eleições, com apoio ou financiamento de candidaturas alinhadas aos interesses da organização criminosa.
A investigação também aponta a tentativa de inserir prefeituras em uma fintech ligada ao grupo, a 4T Bank, com sede em Mogi das Cruzes. A empresa atuaria na gestão de receitas municipais, como a emissão de boletos e o recebimento de tributos. O delegado Fabrício Intelizano, responsável pelo caso, explicou como funcionava o esquema.
"Recebimento de tributos de programas aí da receita, como, por exemplo, a função de mata fiscal aí premiada, eles queriam explorar esse mecanismo para poder fazer o dinheiro que eles inseriam no mercado financeiro através da Fintech, fazer esse dinheiro circular e tentar limpar esse dinheiro na extensão dessas tratativas aí."
A ação desta segunda teve o nome de Contaminatio e é um desdobramento da Operação Decurio, realizada em agosto de 2024 e que bloqueou oito bilhões de reais de contas de pessoas e empresas suspeitas de ligação com o Primeiro Comando da Capital. À época, foram apreendidos dispositivos eletrônicos que revelaram um complexo sistema de movimentação financeira ilícita.
Procurado, o governo do Estado não se manifestou. Em nota, a Câmara de Santo André afirmou que Tiago Rocha de Paula permaneceu poucos dias no cargo e não participou de processos de contratação.
