Integrante da corte LGBT+ do carnaval faz desabafo nas redes sobre tratamento discriminatório: 'Sonho virou pesadelo'

 

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Wend Caster, de 25 anos, representante das pessoas não-binárias, na corte LGBT+ do carnaval do Rio (composta ainda por muso e musa) divulgou na sua rede social um vídeo em forma de carta aberta, com um desabafo sobre o tratamento considerado discriminatório que teria sofrido, junto a seus colegas de corte, durante o período em que representaram a inclusão e a diversidade na folia. Os problemas, segundo Wend começaram logo depois da eleição, ocorrida em outubro, e prosseguiram até o desfile oficial na Sapucaí, onde o grupo sequer pode contar com camarim para se arrumar.

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Mas foi durante os ensaios técnicos que teriam acontecidos os maiores desrespeitos, quando viu a corte ser dividida, colocada para desfilar atrás das escolas, ser empurrada por segurança e destratada por líderes e representantes de agremiações. Wend se queixa ainda que os integrantes da corte tiveram o valor do aluguel da fantasia reduzido e ainda assim liberado apenas uma semana antes do desfile.

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O trauma maior, no entanto, aconteceu durante um ensaio de rua, quando Wend diz ter sido destratado pela porta-bandeira de uma escola do Grupo Especial, que teria inclusive impedido a corte de passar e não ofereceu o pavilhão para ser reverenciado, como de praxe. A situação foi considera frustrante por Wend, que não pensa desistir do carnaval, mas não pretende mais concorrer ao posto de representante da diversidade no carnaval. "Isso só me fez entender como o povo do samba não nos valoriza" desabafou.

— Hoje se encerra um sonho. Sonho esse que se tornou um pesadelo e me fez passar por coisas que eu imaginaria que passaria, pois o lugar que deveria ser acolhedor e inclusivo, com atitudes me mostrou ser completamente o oposto de tudo que se é dito e prometido — diz no vídeo Wend.

Wend contou que antes mesmo do carnaval, durante os minidesfiles, promovidos pela Liesa na Cidade do Samba, no começo de dezembro, começaram os primeiros problemas.

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—Não tínhamos camarim ou espaço para ver as apresentações. Mal tinha água e comida para a gente — reclamou.

Depois disso, o grupo teria ficado um mês e meio sem agenda, sob alegação de que não havia van para levar a corte, que assim como rei momo, a rainha e princesa deveria cumprir uma extensa agenda de visitas às escolas de samba no período de pré-carnaval. O grupo também teria ficado de fora de eventos oficiais, como a entrega das chaves da cidade ao rei momo, cerimônia que costuma ser realizada no Palácio da Cidade, com a presença do prefeito.

A Riotur, que elege a corte, e a Liesa, que organiza os desfiles, foram procuradas mais ainda não responderam.