Instituto criado por Benchimol, Veléz e Street quer destravar crescimento de pequenas e médias empresas no Brasil
Três dos maiores nomes do empreendedorismo do país, os fundadores de XP, Stone e Nubank — Guilherme Benchimol, André Street e David Vélez, respectivamente — se uniram num projeto para destravar o crescimento de pequenas e médias empresas, que já superaram as dificuldades dos primeiros anos, mas estagnaram e não conseguem crescer. Trata-se do Instituto B55, uma organização sem fins lucrativos, lançada nesta terça, que terá como foco esse grupo de empreendedores.
Fim da escala 6x1: empresas conseguiriam acomodar custos de mão de obra?
Fim da escala 6x1: Entenda propostas enviadas à Comissão de Constituição e Justiça da Câmara
O instituto não tem fins lucrativos e conta com mais de vinte embaixadores, que atuarão em mentorias e atividades de formação. Entre os nomes confirmados estão Jorge Paulo Lemann, cofundador da 3G Capital, dona da AB InBev, maior cervejaria do mundo, Kraft Heinz, gigante de alimentos processados e a Restaurant Brands International, que agrupa marcas como Burger King, Tim Hortons, Popeyes.
Além de Lemann, faz parte do quadro de embaixadores David Feffer, presidente do Conselho da Suzano (papel e celulose); Fabricio Bloisi, CEO da global Prosus, controladora da Movile, que abriga marcas como iFood e Sympla; Mariano Gomide, co-CEO da VTEX, gigante do e-commerce brasileiro; e Pedro Franceschi e Henrique Dubugras, dois dos mais jovens bilionários brasileiros e fundadores da Brex, fintech de cartões corporativos, vendida para a Capital One por US$ 5,15 bilhões em janeiro deste ano.
A direção executiva do B55, que começa a funcionar oficialmente em março, será ocupada pelo engenheiro de produção Cristhiano Faé, ele mesmo um empreendedor, que fundou empresas como Accera, uma plataforma de tecnologia e big data focada na inteligência de mercado para a cadeia de suprimentos e varejo, e a Scale Partners, empresa brasileira com o objetivo de acelerar startups e empresas de tecnologia. Faé também é investidor e atua no Conselho de Administração de diversas empresas como Neogrid, D1 e Seedz
Faé conta que já passou por todos os ciclos da jornada empreendedora, e acredita saber o que esse público precisa para escalar os negócios.
“Já tendo passado por todos os estágios da jornada, sei o que os empreendedores passam e o que precisam: um ambiente que suporte o seu crescimento no dia a dia, gente que caminhe junto e uma comunidade que os auxiliem a sustentar a jornada. É aí que vamos fazer a diferença, com capital humano", disse Faé, em nota.
47 milhões de negócios estagnados
No Brasil, cerca de 60% das pequenas empresas fecham as portas em até cinco anos de atividade, segundo dados do IBGE, evidenciando grandes desafios de gestão. No Brasil, também há cerca de 47 milhões de empreendedores, mas mais de 70% das empresas enfrentam algum tipo de estagnação, segundo André Street. Para ele, falta conexão real com o mercado, com trocas concretas e experiências compartilhadas. Esse será um dos pilares do B55: criar uma rede de apoio com conhecimento aplicado e método.
“Temos uma oportunidade de realmente transformar os empreendedores e suas empresas e, assim, potencializar o crescimento do nosso país”, afirma o fundador da Stone. A operação do B55 será estruturada em quatro pilares: Educação & Desenvolvimento, Comunidade & Networking, Jornada & Aceleração e Hub de Empreendedorismo & Inovação.
Entenda: Desemprego no Brasil estaciona no piso. Cinco fatores explicam
Na primeira frente, serão oferecidos cursos, programas, formação e jornadas criadas por quem já construiu e consolidou negócios reais. O fator humano é o foco no capítulo de Comunidade & Networking, buscando montar uma rede de apoio para que esses empreendores se conectem. A ideia é criar um espaço com líderes, investidores e especialistas para ter essa rede. No terceiro pilar, Jornada & Aceleração, startups e empresas que já provaram seu potencial serão apoiadas com capital (via fundos de investimento), mentorias e programas estruturados de aceleração.
A última frente prevê um campus físico do instituto, e o local a ser escolhido ainda está em discussão. A expectativa é que o campus seja o "lugar concreto" onde essa comunidade poderá conviver.
Primeira vaga como CLT, bicos e empreendedorismo: as várias faces da queda do desemprego em 2025
“Empreender é cíclico, nunca acaba, e o empreendedor precisa fazer parte de um ambiente que constantemente o ajude a romper e consolidar. É aí que o instituto faz a diferença, colocando essas pessoas ao lado de empreendedores de alto impacto, oferecendo apoio e orientação aplicada", destacou Vélez na nota.
Não só vender cursos
Para Benchimol, o B55 nasce com a missão de transformar, sem apenas "vender cursos de fim de semana ou entregar certificados".
"Queremos oferecer um espaço em que as pessoas se sintam seguras e confortáveis para falar sobre suas vulnerabilidades e que tenham a oportunidade de ter conversas que possam impactar suas empresas de forma concreta. São conversas que se dão na convivência, não em salas de reunião. Daí a ideia de criar uma hub”, conclui.
Os produtos já estão sendo estruturados e vão atender aos empreendedores em diferentes estágios de seu negócio. O primeiro pacote está previsto para ser lançado no início de março. Mas até o final deste ano, haverá opções de programas práticos para os diferentes estágios da jornada de uma empresa. O B55 também terá iniciativas gratuitas para potencializar ainda mais o alcance do instituto.
