A vitrine dos imóveis de alto padrão já não se limita aos portais imobiliários e às placas nas fachadas. Nas redes sociais, vídeos e fotografias bem produzidos ampliam o alcance das ofertas e despertam o interesse de quem nem planejava se mudar.
Com o Instagram, imobiliárias e corretores transformaram o apelo visual dos imóveis em uma nova estratégia de vendas. Esse potencial foi percebido por Rodrigo Mello, sócio-fundador da Morabilidade, nos primórdios das redes sociais no Brasil.
Em 2010, ele criou a Casas Bacanas, imobiliária voltada a imóveis de alto padrão na capital paulista, com atuação exclusiva no Facebook. Dois anos depois, voltou ao Rio, sua cidade natal, para lançar a Morabilidade, seguindo o conceito de imobiliária-butique, que priorizava a curadoria e um atendimento mais personalizado.
“A Morabilidade tem uma pegada de trabalhar muito bem o produto, de encontrar o imóvel certo e que possa interessar a uma maior gama de clientes. Isso se adaptou muito bem às redes sociais, principalmente o Instagram, onde conseguimos trabalhar melhor o material visual de apartamentos e casas”, diz Mello.
Sala de um apartamento com vista livre na Fonte da Saudade, anunciado pela Morabilidade Morabilidade/Divulgação
Com 125 mil seguidores no Instagram, o perfil da imobiliária aposta em vídeos em que ele próprio apresenta os imóveis contando suas histórias, estratégia adotada há quatro anos. O resultado aparece nas vendas: foram 13 unidades negociadas no primeiro ano, 25 no segundo e 40 no terceiro.
Em 2026, até julho, o corretor já havia superado o volume comercializado em todo o ano anterior. A empresa atua exclusivamente na Zona Sul do Rio, com imóveis acima de R$ 1 milhão.
“A rede social está na mão, no celular. As pessoas chegam aos imóveis por meio do encantamento.
Vendemos para muita gente que sequer pensava em trocar de moradia”, conta. Os vídeos somam mais de 25 milhões de visualizações mensais, e alguns já ultrapassaram sozinhos um milhão de visualizações.
A repercussão também acelera os negócios. Segundo Mello, 60% das vendas acontecem em até uma semana após a publicação, muitas nas primeiras 24 ou 48 horas, pelo preço anunciado.
O sucesso ampliou a procura de proprietários: são cerca de dez propostas de divulgação por semana, submetidas a uma seleção criteriosa. “Trabalhamos muito mais com imóveis que tenham um refino de acabamento, um piso de madeira, um charme ou alguma coisa diferenciada, do que com produtos novos, recém-lançados ou prédios construídos em menos de cinco anos.
Isso não é a cara do nosso público”, reflete. Em São Paulo, a autenticidade e o talento para as vendas também impulsionaram Tamara Stief, criadora de um perfil dedicado a imóveis de luxo, de preferência assinados e situados em construções antigas.
Com 395 mil seguidores, ela combina vídeos bem editados, linguagem descontraída, carisma e atenção à apresentação visual. A aposta surgiu em 2020, durante a pandemia, quando ela estava sem emprego e decidiu publicar um vídeo para divulgar um imóvel.
Em uma semana, o perfil saltou de mil para cinco mil seguidores. “Nessa época, ninguém ainda divulgava vídeos no Instagram, só fotos.
Gravei de um modo bem natural, e viralizou”, recorda. A Maramores investe em vídeos e narrativas visuais no Instagram para despertar o desejo de compra e ampliar o alcance dos imóveis de alto padrão.
A estratégia já reúne 395 mil seguidores Maramores/Divulgação
O alcance das publicações levou à criação da imobiliária Maramores — nome inspirado na personagem que Tamara interpreta nos vídeos —, onde hoje trabalham 30 pessoas. “Os clientes gostam muito porque é uma maneira de vender com emoção, contar uma história.
Ajuda a conectar com o público. É importante dizer que a comunicação vende, mas o produto precisa ser bom.
Se eu comunico algo ruim, posso me queimar”, observa Tamara. Além do site, a empresa acaba de inaugurar uma loja física na capital paulista, que funciona como imobiliária e espaço de divulgação de arte e decoração.
“Fizemos o caminho inverso. Nascemos no on-line e nos tornamos uma imobiliária ‘offline’.
Uma coisa completa a outra.” ARQUITETURA E HISTÓRIA
Na Refúgios Urbanos, também na capital paulista, a arquitetura e as histórias que cada imóvel tem a contar estão no centro da estratégia de comunicação. Criada como marca em 2012, a imobiliária começou a operar no ano seguinte, com foco em produtos que se destacam pela qualidade dos projetos e dos espaços, mesmo quando não levam a assinatura de arquitetos renomados.
A Refúgios Urbanos, com 361 mil seguidores, usa o Instagram para vender imóveis com arquitetura diferenciada, conta as histórias por trás de cada um e aposta em fotografias, vídeos e narrativas visuais Refúgios Urbanos/Divulgação
“Sempre valorizamos a história dos lugares e, desde o início, o Facebook foi uma de nossas vitrines para contá-las. O Instagram ganhou relevância a partir de 2014/2015, por reunir um público mais atento à estética e à fotografia, o ambiente ideal para apresentar imóveis especiais, como é o nosso caso”, afirma Matteo Gavazzi, sócio da empresa.
Com 361 mil seguidores e 8,1 milhões de impressões no último mês em cerca de 200 publicações, a imobiliária adapta o formato ao perfil de cada imóvel: alguns pedem boas fotografias, outros funcionam melhor em vídeos ou com narração. Para Gavazzi, cada imóvel tem uma liquidez diferente: alguns precisam de três ou quatro “posts” até chegar à venda e outros são vendidos com um único “post”.
“O Instagram potencializa nossa vitrine, pois chega a pessoas que não estão necessariamente comprando ou vendendo naquele momento, mas que se encantam pela estética e pela forma como contamos histórias, seja do imóvel, do prédio ou do bairro. Muitas delas acabam nos recomendando para alguém que está em busca de um imóvel”, detalha.
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