'Inseparáveis no barco': tudo o que se sabe sobre caso de brasileira desaparecida em Veneza após bater em táxi aquático

'Inseparáveis no barco': tudo o que se sabe sobre caso de brasileira desaparecida em Veneza após bater em táxi aquático - Foto
Fonte da notícia: O Globo O Globo

As autoridades italianas continuam nesta terça-feira em busca da brasileira Gabriella Querino, desaparecida após uma colisão de barcos em Veneza na manhã de sábado. Um condutor de táxi aquático é investigado pelo episódio, que matou o marido italiano de Gabriella, Sean Michieli.

Segundo a imprensa local, o táxi aquático pesava 4,5 toneladas e teria atingido a pequena embarcação em que estava o casal em alta velocidade. Michieli era quem pilotava o outro barco.

Quem é Grabriella Querino Natural de Ribeirão Preto (SP), a brasileira de 25 anos vivia há dois anos na Itália, onde conheceu o marido, com quem estava casada há três meses. Ao g1, familiares relataram que ela chegou a anunciar uma gravidez neste ano, mas perdeu o bebê semanas depois. Uma tia disse que ela "tinha o sonho de conhecer o mundo", o que a levou ao país europeu.

Também com 25 anos, Michieli trabalhava como pescador em Veneza e residia em uma ilha na região, para onde Gabriella se mudou. A família dele trabalhava com pesca há gerações. Ao jornal Il Resto del Carlino, familiares de Michieli afirmaram que os dois eram "praticamente inseparáveis ​​no barco" O que se sabe sobre o acidente A colisão ocorreu por volta das 5h30 de sábado (12), no canal de Tessera, na lagoa de Veneza, próximo ao Aeroporto Marco Polo. O casal havia saído da ilha de Burano, onde morava, em direção a San Giuliano, no continente. Segundo informações divulgadas pela imprensa italiana, Michieli havia deixado a ilha para buscar isca para pesca. — Eles cruzaram no escuro, não consegui evitar. Eu vi o barco no último instante e não tive tempo de frear — teria dito o condutor do táxi aquático aos investigadores. Michieli foi retirado da água e levado ao Hospital Sant'Angelo, em Mestre, com traumatismo craniano grave. Ele passou por duas cirurgias, mas não resistiu aos ferimentos. A morte foi confirmada na noite de domingo (13).

Buscas por Gabriella As equipes de resgate entraram no quinto dia de buscas por Gabriella na região da ilha de Tessera. Bombeiros de Veneza atuam com mergulhadores e contam com uma embarcação equipada com sonar, enviada de Pádua, para vasculhar o fundo da lagoa. Um helicóptero também participa da operação, que passou a contar ainda com drones. A área do acidente fica em um canal movimentado por táxis aquáticos que fazem o trajeto até o aeroporto. A circulação chegou a ser interrompida por algumas horas após a colisão e depois foi parcialmente retomada. No sábado à noite, uma bolsa com documentos e objetos pessoais de Gabriella foi encontrada perto do local do acidente. O item reforça a informação de que ela estava na embarcação no momento da colisão. A operação é dificultada pelas condições da lagoa. A água é turva, a profundidade varia de acordo com o ponto do fundo e as correntes provocadas pelas marés podem deslocar objetos e dificultar o trabalho dos mergulhadores. As equipes também ampliaram as buscas para áreas próximas ao ponto da colisão, com embarcações na superfície e buscas aéreas. A família de Gabriella deve viajar para a Itália para acompanhar as buscas. Investigação A promotora Daniela Moroni, responsável pelo caso, determinou a realização de uma autópsia no corpo de Michieli. O exame deve fornecer elementos para esclarecer a dinâmica da colisão, que ainda não foi completamente determinada. Os investigadores também realizarão exames técnicos nas embarcações envolvidas. Serão analisados os cascos e os danos provocados pelo impacto para tentar determinar a velocidade dos barcos, o sentido em que navegavam, suas trajetórias e o ponto exato da colisão. Até o momento, o condutor do táxi aquático é a única testemunha direta conhecida do acidente. Não há imagens de câmeras de segurança que tenham registrado a colisão. O vice-prefeito de Veneza, Simone Venturini, manifestou solidariedade às famílias e destacou a continuidade das buscas por Gabriella. — É uma tragédia que nos atinge profundamente e que hoje torna ainda mais angustiante a espera por notícias sobre Gabriella. Não perdemos a esperança e continuamos confiando no trabalho incansável daqueles que, há dois dias, estão procurando por ela — afirmou, em nota.

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