Inovação aberta agrega soluções a siderúrgicas

Inovação aberta agrega soluções a siderúrgicas - Foto
Fonte da notícia: Valor Valor

Malu Ciorlia: “Os desafios mais relevantes não são resolvidos de forma isolada” Rafael Mott Cada vez mais empresas procuram hubs de inovação aberta soluções para resolver desafios específicos e buscar tecnologias disruptivas. “A gente procura colocar no hub de inovação aberta soluções para as quais não têm muito produto pronto no mercado”, diz Rafael Guimarães, gerente-geral de portfólio digital e indústria 4.0 da Gerdau, que se engaja globalmente com mais de 1.600 startups por ano e foi a primeira indústria a fazer parte do Fiemg Lab, o hub de inovação da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais. Anualmente, uma ou duas soluções são implementadas no processo industrial da a companhia, sempre com foco em redução de custo, produtividade e segurança do trabalho. “É um canal bastante competitivo que tem nos trazido bons retornos”, completa Guimarães, falando sobre o Fiemg Lab. Como exemplo, ele cita a mitigação de riscos relacionados ao aço líquido por meio de monitoramento de imagens com uso da inteligência artificial para assegurar o engate correto da ponte rolante na panela de aço, uma das operações de maior criticidade dentro da siderurgia e metalurgia. “A IA dá um OK para o operador movimentar a panela, o que antes era feito a olho nu”, detalha. A Belgo Arames investe em média de R$ 37 milhões por ano em projetos de inovação; cerca de 10% são destinados à inovação aberta. “Entendemos que os desafios mais relevantes da indústria não são resolvidos de forma isolada”, diz Malu Ciorlia, gerente-geral de marketing, estratégia e inovação da companhia, que tem projetos com instituições como o CIT Senai e a Universidade Federal de Uberlândia, além de investimentos em startups alinhadas a prioridades estratégicas, como a agtech Instabov. Mais recentemente, estruturou o Belgo Arames Challenge Fiemg Lab, primeiro projeto com o hub, voltado a desafios relacionados ao uso mais inteligente de dados para apoiar decisões e aumentar a eficiência e a prevenção de riscos. O programa está na fase de seleção das soluções que seguirão para testes em ambiente industrial. A inovação aberta, estruturada na Belgo em 2019, contribui para transformar desafios operacionais em ganhos. Ciorlia cita o reaproveitamento do iodo fosfatado em parceria com a Termax, iniciativa que evitou o envio de cerca de 276 toneladas de resíduos para aterros, e a redução, com uso de IA, em 50% do tempo de análise de falhas e recorrência de falhas críticas, além de diminuir as paradas corretivas, além de diminuir as paradas corretivas. “Somente nas duas plantas onde a solução foi aplicada, o impacto financeiro estimado é de R$ 3,8 milhões por ano, com recuperação de cerca de 2.400 toneladas de produção anuais”, diz. O Fiemg Lab já impactou 294 indústrias e 396 startups e realizou 163 provas de conceito. Gerente do hub, Mariana Yazbeck ressalta que a inovação aberta é tão relevante do ponto de vista de gestão de mudança quanto da cultura organizacional. “Não basta ter um processo de inovação aberta implementado, a companhia precisa abraçá-lo. O C-level tem que virar parte, inclusive, da gestão de mudanças, porque o novo gera incômodo”, assinala. Yazbeck explica que o hub define junto com a organização qual desafio vai atacar. “Um grande problema é, às vezes, a ponta do iceberg. Quando fazemos um mergulho, identificamos outros problemas e definimos qual parte vamos atacar”, diz a gerente. Nos últimos anos, a Tupy ampliou a conexão com startups, universidades, centros de pesquisa e empresas de tecnologia. “Percebemos que o maior valor não estava apenas nas soluções encontradas, mas na construção de um modelo de trabalho replicável”, diz Fábio Caramori, diretor de estratégia, M&A e ventures da Tupy. A aceleradora de startups ShiftT foi o primeiro programa de inovação aberta da Tupy. Tem orçamento próprio e, ao longo de três ciclos, 11 startups foram aceleradas, e três delas acabaram escaladas como fornecedoras. A empresa divulga desafios e recebe propostas por meio de um portal. “A inovação aberta tem sido um importante mecanismo para reduzir incertezas antes de decisões de investimento de maior escala. Por meio da ShiftT e do Portal de Inovação Aberta, conseguimos identificar tecnologias emergentes, conduzir provas de conceito, validar hipóteses de aplicação e direcionar recursos para iniciativas com maior potencial de geração de valor”, enumera Caramori. Com o rápido desenvolvimento de novas tecnologias, inovar deixa de ser opção para se tornar uma necessidade, mas precisa estar ligada à estratégia do negócio. “Saber por que inovar e aonde se quer chegar é fundamental. Conectar-se a hubs de inovação é uma forma eficiente de custo e, às vezes, muito mais barato do que criar áreas dentro das empresas”, pontua Yazbeck, do Fiemg Lab. “O primeiro aprendizado é ter muita clareza de qual problema você vai entregar para um canal de inovação aberta, porque tem que ter fit [compatibilidade]”, completa Rafael Guimarães, da Gerdau.

Compartilhar: WhatsApp Facebook Telegram X

Deseja ler a íntegra original na fonte jornalística?

Acessar matéria no site Valor