Iniciativas da UFPA buscam por equidade de gênero para mulheres na área acadêmica

 

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As mulheres ocuparem cada vez mais espaços nas universidades é importante para a superação de barreiras observadas na sociedade. Para alcançar essa maior equidade de gênero, a Universidade Federal do Pará (UFPA) promove iniciativas em setores diversos, como a alteração de editais, ações de conscientização e parcerias com outras instituições, o que ajudou na conquista de prêmios na 2ª edição do Prêmio Mulheres na Ciência, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).


Segundo a vice-reitora da UFPA, Loiane Verbicaro, a universidade paraense acredita que a busca pela equidade de gênero nas instituições de ensino é fundamental, visto a desigualdade de gênero presente na sociedade. “Consideramos uma agenda importantíssima, especialmente se considerarmos as desigualdades existentes no âmbito da ciência, da academia e das universidades em relação a homens e mulheres. Isso é um processo histórico e assimétrico, principalmente quando se chega aos cargos de maior visibilidade de liderança acadêmica e científica”.


Iniciativas


A UFPA possui a Comissão para Equidade de Gênero (CEG) e busca combater as desigualdades sofridas pelas mulheres ao promover iniciativas em diversos âmbitos acadêmicos.


Editais


Uma das iniciativas da UFPA é garantir oportunidades iguais para todas as pessoas por meio da alteração de editais de ensino, pesquisa e extensão, tanto na graduação quanto na pós-graduação. “Consideramos, por exemplo, o período de maternidade, que é um momento em que a produção da mulher cai, em razão da economia do cuidado. Então, precisamos considerar isso para dar tratamento igualitário e, portanto, acesso a bolsas de pesquisa e oportunidades acadêmicas”, explica a vice-reitora.


Ações de conscientização


A UFPA também promove ações de formação, conscientização e mobilização sobre a equidade de gênero, por meio de eventos que discutem o tema. “Temos percorrido todos os campi da UFPA promovendo eventos, conversas, diálogos e conscientização com gestores e com a comunidade acadêmica”, conta Loiane Verbicaro.


Espaços de maternidade


Outro objetivo da UFPA é ampliar a infraestrutura da instituição para fornecer ajuda às servidoras e alunas que são mães, como a criação de espaços materno-infantis e de amamentação, além de brinquedotecas e fraldários.


“Sabemos que muitas alunas evadem dos seus cursos no momento em que se tornam mães, por conta da economia do cuidado, pois, hoje em dia, ainda é a mãe que assume a responsabilidade de cuidar dos seus filhos”, comenta a vice-reitora.


Os campi da UFPA de Cametá, Tucuruí, Soure e Breves já apresentam esses espaços. Em Belém, o campus localizado no Guamá também conta com salas de maternidade. “É uma preocupação nossa e é um processo gradativo. Sabemos que é um desafio que vamos cumprir ao longo do tempo, sobretudo pelos desafios orçamentários”, afirma Loiane Verbicaro.


Vice-reitora Loiane Verbicaro e troféu do Prêmio Mulheres na Ciência da UFPA (Foto: Wagner Santanta | O Liberal)


Parcerias


A UFPA ainda busca dialogar com a sociedade, por meio de parcerias para trocar ideias e avançar nos níveis de equidade de gênero de forma coletiva. Uma das parcerias é com a Assembleia Legislativa, com o objetivo de a universidade estudar o avanço de projeto de lei em relação às questões de gênero.


Outra parceria foi com o Conselho Nacional de Justiça (CNJ), na qual houve o desenvolvimento de uma pesquisa nacional para analisar as decisões proferidas pelos Tribunais de Justiça dos estados em relação ao protocolo sobre perspectiva de gênero do CNJ.


“É uma pesquisa que faz uma análise geral e também contribui para que os julgamentos tenham sensibilidade em relação ao tema de gênero”, explica a vice-reitora da UFPA.


Prêmio


Nesta quinta-feira (5), a UFPA conquistou dois prêmios na 2ª edição do Prêmio Mulheres na Ciência. A instituição ficou em primeiro lugar na categoria Mérito Institucional, e a pesquisadora e professora Liliam Cohen foi destaque na categoria Trajetória, destinada a pesquisadoras que obtiveram o título de doutora até 2009.


O Prêmio busca promover e valorizar a participação feminina nas áreas de Ciência, Tecnologia e Inovação e incentivar a equidade de gênero, étnica e racial na produção científica.