Inglaterra testa primeiro bafômetro do mundo capaz de detectar uso de gás do riso em motoristas; entenda

 

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O primeiro bafômetro do mundo desenvolvido para detectar o uso de óxido nitroso por motoristas começou a ser testado, nesta semana, por duas forças policiais no sul da Inglaterra, em uma tentativa de combater o aumento de acidentes ligados ao consumo da substância, conhecida popularmente como “gás do riso”, NOS ou “crack hippie”. O dispositivo está em fase experimental com a Polícia de Hampshire e da Ilha de Wight e com a Polícia do Vale do Tâmisa.

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Criado pela empresa holandesa Respira Technologies, após pesquisas da Vrije Universiteit Amsterdam, o aparelho funciona como um bafômetro convencional: o motorista sopra no dispositivo portátil e, em poucos minutos, o sistema aponta se houve inalação de óxido nitroso nas duas horas anteriores ao teste. A droga, classificada como substância de Classe C no Reino Unido, pode causar inconsciência, danos neurológicos e até morte por asfixia, além de ter sua posse ilegal punida com até dois anos de prisão.

A superintendente interina Emma Hart, da unidade conjunta de policiamento rodoviário das corporações envolvidas, afirmou que a ausência de um equipamento específico dificultava a responsabilização criminal dos motoristas flagrados sob efeito da substância.

— Atualmente, não existe nenhum dispositivo disponível que possa comprovar que um motorista inalou óxido nitroso, o que dificulta o processo judicial. É por isso que nossas forças estão liderando esta fase de testes, para desbravar novos caminhos e provar que esses dispositivos podem ajudar a salvar vidas nas nossas estradas — disse em comunicado à imprensa.

Segundo ela, o uso da droga ao volante tem se tornado um problema crescente, especialmente entre jovens condutores. Emma destacou ainda que a expectativa é que, caso o teste seja bem-sucedido, a tecnologia possa ser adotada em todo o país.

— O óxido nitroso é um problema crescente, especialmente entre os jovens condutores que não compreendem os danos que pode causar. Quando vimos a oportunidade de testar esta nova tecnologia, soubemos o quão importante ela poderia ser para a implementação destes dispositivos em todo o país — afirmou.

Caso de morte impulsionou debate

A discussão sobre fiscalização ganhou força após um acidente ocorrido em 2023, em Marcham, no condado de Oxfordshire. Elliot Pullen, de 17 anos, e os jovens Ethan Goddard e Daniel Hancock, ambos de 18, morreram quando o carro em que estavam bateu contra uma árvore às margens da rodovia A415. O motorista, Thomas Johnson, então com 18 anos, foi filmado inalando óxido nitroso ao volante momentos antes da colisão e dirigia a até 160 km/h. Ele foi condenado a nove anos de prisão por causar mortes por direção perigosa.

A família de Elliot declarou apoio total ao novo teste policial e defendeu medidas mais rígidas para impedir que motoristas usem substâncias psicoativas antes de dirigir.

— Apoiamos totalmente o julgamento. A ideia de pessoas estarem sob o efeito de substâncias é aterradora — disseram os familiares, segundo as autoridades.