Infraestrutura deve puxar 'janela favorável' para IPOs nos próximos meses, avalia B3

 

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O CEO da B3, Gilson Finkelsztain, disse que o Brasil deve atravessar um bom momento para aberturas de capital nos próximos meses, impulsionado principalmente pelo setor de infraestrutura, com destaque para o saneamento. A declaração foi feita nesta quinta-feira, durante um encontro com jornalistas em São Paulo (SP).

Ele disse que essa perspectiva mais favorável está ligada sobretudo a uma realocação global de recursos, motivada por fatores externos mais do que domésticos. Finkelsztain ponderou, no entanto, que a taxa de juros no Brasil segue em patamar elevado, apesar da expectativa de queda, o que ainda impõe desafios ao mercado de renda variável.

— Tem um vento bom chegando. Acho que isso é bastante fruto de uma realocação de recursos global [... ] Vimos uma entrada de recursos que fez o mercado de renda variável reagir. Foram recursos estrangeiros alocando recursos para mercados emergentes, e a gente pegou um pedacinho disso. Parece ser o início de um movimento que pode ser muito positivo para mercados emergentes, revertendo uma tendência de quase cinco anos em que o mercado americano absorveu todo o dinheiro marginal existente na indústria de investimentos, nas áreas de tecnologia e adjacências.

O executivo lembrou que cerca de 50 empresas já estão aprovadas para processos de IPO. São companhias que, segundo ele, passaram os últimos anos fortalecendo investimentos e governança e agora estão dispostas a captar recursos, dando seguimento a planos ambiciosos de expansão.

— O mercado deve começar com empresas do setor de infraestrutura, então não são empresas pequenas. São empresas mais maduras, com uma perspectiva de investimento mais claro. A infraestrutura parece ser o setor que vai abrir essa janela. E aí, dentro da infraestrutura, parece que o saneamento está mais avançado. Logística vem na sequência. Mas tem, eu acho que tem diversas empresas de diversos setores que estão preparadas.

Finkelsztain lembrou ainda que 2026 é ano eleitoral, marcado por incertezas em relação à agenda fiscal, sobretudo no Brasil. A partir do próximo mês, segundo ele, definições mais claras sobre candidaturas, diretrizes econômicas e planos de governo devem ajudar o mercado a calibrar expectativas sobre o patamar futuro dos juros.

— O investidor brasileiro chegou a ter perto de 15% do recurso investido em ações, e hoje esse número está entre 5% e 6%. Esse número ainda é muito pequeno, porém a gente tem uma evolução muito grande no tema de educação financeira. Então, quando e se esse movimento ocorrer, de queda de taxas de juros, esse movimento vai ser muito forte.

Nova marca da B3

A B3 lançou, nesta manhã, uma nova marca chamada Trillia, especialmente desenhada para soluções em inteligência, dados, analytics e inteligência artificial. A iniciativa resulta da integração de cinco negócios que compõem o ecossistema de dados da companhia: PtDTec, Neoway, Neurotech, DataStock e a Unidade de Infraestrutura para Financiamentos (UIF).

A B3 busca, com o lançamento, reduzir a dependência dos ciclos do mercado financeiro e ampliar a participação de receitas menos voláteis, que atualmente representam aproximadamente 10% do total.

Segundo Finkelsztain, a empresa segue um movimento observado entre grandes bolsas globais, que passaram a apostar em dados como forma de dar mais estabilidade aos resultados ao longo do tempo. De forma mais ampla, diz o executivo, bolsas ao redor do mundo buscam ter entre 30% e 35% de suas receitas em áreas menos cíclicas. Nos Estados Unidos, esse patamar gira em torno de 25%.