Embora 77% dos trabalhadores informais e 70% dos profissionais de aplicativos se preocupem com a situação financeira na velhice, a maioria não consegue poupar regularmente nem contribuir para o INSS. Entre os informais, 69% afirmam que gostariam de guardar dinheiro, mas não costumam fazê-lo, enquanto 59% não recolhem para a Previdência Social. Já entre os trabalhadores de plataformas digitais, esses percentuais são de 44% e 68%, respectivamente. Os dados são de pesquisa da Associação Brasileira das Entidades Fechadas de Previdência Complementar (Abrapp), realizada pelo Instituto Ibero-Brasileiro de Relacionamento com o Cliente (IBRC).
“Temos um exército de invisíveis no país, sem proteção previdenciária”, afirmou nesta quarta-feira (14) Devanir Silva, diretor-presidente da Abrapp, ao comentar a pesquisa. “Se não fizermos nada, será o exército dos excluídos de amanhã”, completou.
O levantamento ouviu 2.809 pessoas entre julho e setembro de 2026, sendo 1.892 trabalhadores informais e 917 profissionais de plataformas digitais. Ao todo, 97% dos entrevistados reconhecem a importância de formar uma reserva financeira para o futuro.
Instabilidade dos rendimentos A dificuldade de transformar essa preocupação em poupança está relacionada, entre outros fatores, à instabilidade dos rendimentos. Entre os profissionais de aplicativos, 91% relatam dificuldade para assumir compromissos financeiros mensais de longo prazo e 81% apontam a variação da renda como obstáculo. Entre os informais, 81% têm receio de perder o dinheiro investido e 64% dizem ter dificuldade para compreender produtos financeiros e previdenciários.
A falta de proteção também preocupa diante de imprevistos. Caso adoecessem ou ficassem impossibilitados de trabalhar, 82% dos informais e 77% dos profissionais de aplicativos acreditam que enfrentariam dificuldades financeiras severas.
Segundo Silva, da Abrapp, os resultados mostram que a preocupação com o futuro existe, mas a renda variável e a dificuldade de assumir compromissos regulares impedem muitos trabalhadores de construir uma proteção financeira.
Mudanças no sistema Para Silva, o cenário exige mudanças no sistema. A Abrapp defende a regulamentação das chamadas micropensões, modalidade de previdência complementar que permitiria contribuições flexíveis, ajustadas à capacidade financeira dos trabalhadores, sem substituir os direitos vinculados ao INSS. A proposta prevê ainda proteção por seguros e acesso a microcrédito.
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