Apesar das reclamações da campanha de Lula (PT) a respeito de interferência de big techs no processo eleitoral contra Flávio Bolsonaro (PL), o campo da esquerda superou a direita em engajamento nas redes sociais na primeira semana da campanha do 2º turno, refletindo a mobilização de apoiadores do candidato que busca a reeleição. Segundo dados da empresa de análise Bites, obtidos com exclusividade pelo GLOBO, influenciadores de esquerda subiram o engajamento nas redes da Meta em 783% entre 4 e 11 de outubro, contra 162% de influenciadores da direita. No Instagram sozinho — ou seja, sem o Facebook —, a esquerda subiu 1.195%, e a direita, 241%. O estudo não mede alcance ou impressões brutas — dados restritos às próprias plataformas. O levantamento acompanha as interações orgânicas públicas (curtidas, comentários e compartilhamentos) e mostra a mobilização da esquerda após a derrota no 1º turno da votação presidencial. A falha técnica reconhecida pela Meta nesta sexta (16), que bloqueou temporariamente a conta de anúncios pagos de Lula por algumas horas, ocorreu no sistema de impulsionamento pago. Por isso, ela não afetou os dados do estudo, que monitorou apenas o engajamento orgânico do feed público. A medição foi feita semanalmente ao longo de três períodos: pré-campanha (1º/6 a 15/8), campanha do 1º turno (16/8 a 3/10) e 2º turno (4/10 a 11/10). Antes da campanha, os perfis de direita somavam 11 milhões de interações por semana, contra 4,6 milhões da esquerda. Durante a campanha do 1º turno, a direita saltou para 25 milhões, contra 11,5 milhões da esquerda. Na semana seguinte ao 1º turno, a esquerda virou: 49 milhões, contra 45 milhões da direita. Essa é a única semana da série em que a esquerda superou a direita em interações. Somente os deputados federais André Janones e Erika Hilton tiveram, respectivamente, 24,7 milhões e 21,6 milhões de interações. Segundo André Eler, diretor técnico da Bites, a utilização de grandes comunidades organizadas no Telegram e no WhatsApp (grupos com até 2 milhões de pessoas convocadas para interagir simultaneamente) gerou tração orgânica em massa sem ferir as regras das plataformas. Na esquerda, três perfis somam 76% das interações do campo no segundo turno: Janones (33%), Erika Hilton (29%) e Jones Manoel (15%). Na direita, Nikolas Ferreira sozinho responde por 49% das interações do campo, tanto no 1º quanto no 2º turno. A medição olhou para 13 nomes da direita (André Fernandes, Bia Kicis, Carlos Bolsonaro, Damares Alves, Deltan Dallagnol, Gustavo Gayer, Jeffrey Chiquini, Julia Zanatta, Kim Kataguiri, Lucas Pavanato, Michelle Bolsonaro, Nikolas Ferreira e Pr. Marco Feliciano) e 9 da esquerda (Ana Elisa, André Janones, Erika Hilton, Guilherme Boulos, Jones Manoel, Pedro Rousseff, Rick Azevedo, Sâmia Bomfim e Tabata Amaral). No 1º turno, influenciadores tanto de esquerda quanto de direita tiveram queda no engajamento nas redes da Meta, de 17% e 35%, respectivamente. Embora numericamente a queda na esquerda seja menor, a Bites considera o resultado um “empate”.
A queda generalizada é considerada normal. Com as regras do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que proibiam a distribuição algorítmica de conteúdos de candidatos durante o período de campanha, o algoritmo deixou de levar esses conteúdos aos feeds de não seguidores (a aba “Para Você” ou as sugestões), restringindo a entrega à própria bolha de seguidores. Com o fim das restrições, os números explodiram na disputa do 2º turno, com a ajuda de influenciadores que também eram candidatos. Lula também sobe Além dos influenciadores, o perfil de Lula também superou o engajamento do de Bolsonaro na primeira semana do 2º turno. O petista teve aumento de 298%, contra 110% de seu adversário, nas redes da Meta, no TikTok e no X. Na campanha do 1º turno, ambos tinham caído: Flávio, 16%, e Lula, 27%. Impulsionado pela proximidade da aprovação da escala 6x1 e pela movimentação que resultou nos grandes atos do fim de semana, Lula teve um aumento muito expressivo no engajamento do Instagram na primeira semana do 2º turno: alta de 1.789%. Flávio cresceu 694%. Lula mudou de estratégia ainda na campanha do 1º turno, passando de 110 para 300 posts por semana. Flávio manteve o ritmo e, depois do 1º turno, até reduziu para 56 posts. Assim, o petista ultrapassou o rival em interações na semana de 31/8 e ficou à frente até o fim da série.
O Globo