Influenciadora próxima de Trump diz que show de Bad Bunny 'não foi branco o suficiente' e ataca imigrantes

 

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Uma das mais conhecidas influenciadoras pró-Donald Trump nos EUA disse que o show do cantor Bad Bunny no intervalo do Super Bowl, no domingo, "não foi branco o suficiente", e que a performance do artista de Porto Rico (um território dos Estados Unidos) "não tinha nada de americana". As palavras de Laura Loomer, adepta de teorias da conspiração e defensora ferrenha da política migratória do presidente Trump, ainda incluíram tons explícitos de xenofobia contra latinos.

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"Imigrantes ilegais e prostitutas latinas rebolando no Super Bowl. Nenhum branco ou tradução para o inglês no Super Bowl", escreveu Loomer na rede social X. "Isso não é branco o suficiente para mim. Não consigo mais assistir a um Super Bowl porque os imigrantes literalmente arruinaram tudo."

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Além de atacar o estilo musical de Bad Bunny, um dos artistas mais ouvidos nos EUA (e no resto do mundo), Loomer questionou "que diabos é essa m... de imigrante ilegal trabalhando em fazendas e não falando inglês na minha TV?", sugerindo que a agência migratória do país, o ICE, envolvido em violentas operações, fosse acionado. Ela criticou a decisão do cantor — que é cidadão americano, assim como as pessoas que nascem em Porto Rico — de falar apenas em espanhol, antes de retomar a xenofobia que marcou sua noite.

"O fato de o show do intervalo do Super Bowl ter começado com uma cena que supostamente mostrava trabalhadores agrícolas imigrantes ilegais é vergonhoso. Isso só reforçou minha crença de que somos um país conquistado", escreveu, sugerindo que os trabalhadores rurais dos EUA, retratados na apresentação de Bad Bunny, são estrangeiros em situação migratória irregular.

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Loomer, uma conhecida agitadora de extrema direita que se diz abertamente islamofóbica e anti-imigração, se aproximou de Donald Trump durante a campanha que o levou novamente à Casa Branca, e chegou a ser convidada pelo republicano para integrar sua equipe. Contudo, seu radicalismo fez com que outros assessores conseguissem barrá-la para o cargo. Isso não impediu que mantivesse aberto o canal com Trump, ao mesmo tempo em que usava seu alcance digital — são 1,8 milhão de seguidores no X, de onde chegou a ser banida há alguns anos mas retornou por obra de Elon Musk, dono da empresa — para influenciar escolhas do presidente e promover as próprias pautas. Em suas redes, ela também vende camisetas e outros produtos louvando a prisão de imigrantes.

A influenciadora não foi a única na "trumpsfera" a atacar Bad Bunny. Nick Adams, indicado por Trump para comandar a embaixada dos EUA na Malásia, disse que alguém deveria lembrar o artista "que ele está na América" — um dos pontos mais celebrados (e atacados por outros) da apresentação foi quando o cantor disse "Deus salve a América" e passou a listar os países da América Latina, acompanhado por bandeiras dessas nações. Nos EUA, a maior parte das pessoas se refere unilateralmente ao país como "América".

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O próprio Trump criticou o show, e o classificou de "tapa na cara" dos Estados Unidos. Na semana passada, sua conta na rede social Truth Social publicou um vídeo retratando o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama como macacos, e as acusações de racismo vieram até da base republicana. O vídeo foi retirado, mas Trump disse que não pediria desculpas porque "não fez nada de errado".

Como "resposta" a Bad Bunny no Super Bowl, a organização Turning Point USA, fundada pelo ativista conservador Charlie Kirk, assassinado no ano passado, realizou um show "completamente americano", com artistas brancos, como queria Loomer. Segundo projeções do jornal New York Times, cerca de seis milhões de pessoas acompanharam o evento. A audiência estimada da apresentação do porto-riquenho foi de 128 milhões de pessoas.