Influenciadora Nathalia Valente defende marido que participou de trend misógina 'caso ela diga não': 'Não é agressor'

 

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A influenciadora Nathalia Valente saiu em defesa do marido, o também influenciador Yuri Meirelles, que participou da "trend" de vídeos misóginos que simulam reações agressivas contra mulheres. O Ministério Público Federal (MPF) anunciou nesta terça-feira que irá investigar a sequência de conteúdos batizada de "treinado caso ela diga não". Acionada pela Advocacia-Geral da União (AGU), a Polícia Federal também abriu inquérito.

Misoginia digital cresce com ‘trend’ que simula ataque a mulheres e avanço de canais machistas

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As publicações que fazem apologia à violência contra a mulher se espalharam na internet, mostram homens simulando socos, chutes e facadas para caso de recusa em relacionamentos. Aos mais de 10 milhões de seguidores, Nathalia afirmou que a postagem do marido foi "infeliz", mas destacou que Yuri não é um agressor. Ela destacou que os críticos estão "extremamente certos" em questionar o vídeo, mas negou que o marido seja misógino ou represente um "perigo" para ela.

— Eu, como mulher peço desculpas. O Yuri já está sendo responsabilizado pela trend que fez, mas ele não é um agressor, não é uma pessoa ruim. Ele é um pai e um marido maravilhoso — destacou.

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Após a repercussão da postagem, Yuri apagou o vídeo e pediu desculpas nas redes sociais. O influenciador disse que foi "uma brincadeira" e que se arrepende de participar da trend.

— Há um ano atrás eu postei esse vídeo aqui no TikTok e hoje eu olho para trás e me dá uma vergonha absurda. Foi o maior absurdo que eu já postei na minha vida, e eu vim aqui pedir perdão para vocês — afirmou.

Nathalia Valente defende Yuri Meirelles

Reprodução/Redes Sociais

O caso foi enviado pelo procurador federal dos Direitos Humanos, Nicolao Dino, ao Procurador Regional dos Direitos do Cidadão no Distrito Federal, que deverá instaurar o procedimento para investigar o caso e tomar outras providências que julgar cabíveis. O despacho também foi encaminhado ao Grupo de Atuação Especial no Combate aos Crimes Cibernéticos.

— Os conteúdos contribuem para a naturalização simbólica da agressão de gênero e fortalecem discursos de ódio no ambiente digital, tornando urgente a avaliação do papel das empresas de tecnologia na moderação dessas veiculações — disse.

A Diretoria de Crimes Cibernéticos da Polícia Federal já tinha dado início um inquérito para investigar usuários das redes sociais que publicam vídeos da trend. A decisão ocorre após a Advocacia-Geral da União (AGU) ter acionado a corporação. As publicações que fazem apologia à violência contra a mulher se espalharam na internet, mostram homens simulando socos, chutes e facadas para caso de recusa em relacionamentos.

A investigação foi revelada pelo blog Julia Dualibi, do g1. Nos vídeos, os homens simulam uma abordagem romântica, como um pedido de namoro ou casamento. Após a frase “treinando caso ela diga não” aparecer na tela, os criadores de conteúdo encenam reações agressivas para lidar com a possível rejeição.

A AGU argumenta que as postagens tiveram origem em quatro perfis no TikTok, já tendo sido removidos da plataforma. O órgão sustenta que os responsáveis pelas postagens devem ser investigados por incitar a crimes de gênero.

Para a AGU, “a circulação sistemática de conteúdo misógino em plataformas digitais representa ameaça concreta aos direitos fundamentais das mulheres”.