Inflação acelera em fevereiro e pesa mais para famílias de renda alta, diz Ipea

Inflação acelera em fevereiro e pesa mais para famílias de renda alta, diz Ipea

 

Fonte: Bandeira



A inflação voltou a acelerar em fevereiro de 2026 para todas as faixas de renda no Brasil, segundo dados divulgados pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). O avanço, porém, foi mais intenso entre as famílias de renda alta, cuja inflação saltou de 0,18% em janeiro para 1,15% em fevereiro.


Segundo o Indicador Ipea de Inflação por Faixa de Renda, as famílias de renda muito baixa registraram inflação de 0,50% no período, acima dos 0,31% observados em janeiro, mas ainda abaixo da média do IPCA do mês, que ficou em 0,70%.


Os principais fatores de pressão inflacionária variaram conforme a renda. Entre as famílias de menor poder aquisitivo, a alta dos alimentos consumidos em casa, dos produtos farmacêuticos e das tarifas de energia elétrica teve maior impacto sobre o orçamento.


Para as classes de renda mais elevada, os aumentos das mensalidades escolares, que subiram 6,2%, e das passagens aéreas, com alta de 11,4%, explicaram boa parte da aceleração da inflação.


De acordo com o Ipea, os grupos educação, transportes e saúde e cuidados pessoais lideraram as pressões inflacionárias em fevereiro. No setor de educação, além das mensalidades escolares, houve reajustes em cursos preparatórios e de idiomas. Nos transportes, as tarifas aéreas e os aumentos no transporte urbano compensaram as quedas nos preços da gasolina e do gás veicular.


No acumulado de 12 meses, a inflação continua mais baixa para as famílias de renda muito baixa, em 3,2%, enquanto a faixa de renda alta registra a maior taxa, de 4,6%.


Na comparação com fevereiro de 2025, houve desaceleração da inflação para quase todas as faixas de renda, com exceção das famílias mais ricas. O comportamento mais favorável dos alimentos no domicílio e o reajuste menos intenso da energia elétrica ajudaram a aliviar a pressão inflacionária sobre as classes de menor renda.


Além de alimentos e habitação, os grupos de transportes e saúde acumulam forte impacto inflacionário nos últimos 12 meses, especialmente entre as famílias de renda baixa e média. Entre os itens que mais pesaram estão energia elétrica, aluguel, alimentação fora do domicílio, transporte por aplicativo, planos de saúde e medicamentos.