'Indícios de operação política', avalia advogado de Cláudio Castro

 

Fonte: Bandeira



A Polícia Federal realizou, nesta terça-feira (26), uma operação que teve como alvo o ex-governador do Rio, Cláudio Castro, do PL. A ação ocorreu no âmbito das investigações envolvendo o Banco Master. Agentes cumpriram mandado de busca e apreensão na casa de Cláudio Castro, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio. As equipes deixaram o local e seguiram para a Superintendência da Polícia Federal, no Centro da cidade.

A PF apreendeu um novo celular do ex-governador Cláudio Castro durante a operação realizada na manhã desta terça-feira (26). Um outro aparelho, sem uso, também foi recolhido, de acordo com o advogado do ex-governador. A informação foi confirmada à CBN pela defesa de Castro.

O advogado Carlo Luchione, que representa Cláudio Castro, falou com à imprensa e disse que todos os indícios apontam para mais uma operação política contra o ex-governador. Castro deve disputar uma vaga no Senado pelo PL nas eleições de outubro.

Esta é a segunda vez no mês que Cláudio Castro é alvo de busca e apreensão da Polícia Federal. No início de maio, o ex-governador já havia sido alvo de outra operação relacionada à investigação sobre a refinaria Refit.

Cláudio Castro deixou o cargo em 23 de março deste ano. Seria seu último ano como governador de toda forma, já que cumpriu dois mandados.

Mendonça considera que relação entre Castro e Vorcaro passou do contato institucional

A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, aponta que a relação entre o ex-governador Cláudio Castro e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, teria ido além de contatos institucionais. Segundo o documento, há indícios de tratativas ilícitas que teriam ajudado a viabilizar a captação de R$ 3,691 bilhões em investimentos no banco, com recursos ligados ao Rioprevidência.

Esse é o principal detalhe novo da decisão que autorizou as buscas contra Cláudio Castro e outros investigados. O ministro cita a manifestação da Procuradoria-Geral da República, que vê elementos consistentes de materialidade e autoria.

Para a PGR, os investimentos bilionários no Banco Master teriam sido viabilizados a partir de relações pessoais e políticas entre Vorcaro e o ex-governador. A decisão também mostra que a investigação começou a partir da análise do celular apreendido com Daniel Vorcaro em uma fase anterior da Operação Compliance Zero.

De acordo com a Polícia Federal, mensagens encontradas no aparelho indicariam que a liberação de alguns investimentos dependia de alinhamento político com Cláudio Castro. O documento afirma ainda que houve uma sequência de encontros entre Castro e Vorcaro, seguida de aportes do Rioprevidência no Banco Master.

Para a investigação, essa sequência, somada a mudanças na diretoria do fundo e à falta de justificativas técnicas para as aplicações, reforça a suspeita de interferência política indevida. O Rioprevidência é o fundo responsável pelo pagamento de aposentados e pensionistas do estado do Rio.

Segundo a investigação, os recursos foram aplicados primeiro em Letras Financeiras do Banco Master e depois em fundos ligados ao mesmo grupo. A Polícia Federal aponta que essas operações ocorreram mesmo com alertas de órgãos de controle e sem análises técnicas consideradas suficientes.

Outro ponto novo da decisão é a suspeita de uso de intermediários para aumentar comissões e ocultar o pagamento de vantagens indevidas. A PGR cita a atuação de uma empresa chamada Mídias Promotora e da Planner Corretora de Valores, que, segundo a investigação, teriam ajudado a operacionalizar a estrutura suspeita.

Na decisão, André Mendonça afirma que os indícios apontam para a existência de um esquema amplo, estável e bem estruturado de corrupção e lavagem de dinheiro, voltado ao desvio de uma cifra bilionária do Rioprevidência. O ministro autorizou a apreensão de documentos, computadores, celulares e dados armazenados em nuvem.

As equipes da Polícia Federal deixaram o condomínio onde Cláudio Castro mora por volta das 9h10 da manhã. O advogado do ex-governador, Carlo Luchione, disse que os agentes levaram apenas dois celulares, sendo que um deles estaria sem uso. Ele também afirmou que, na avaliação da defesa, a operação tem caráter político.