Inclusão de crianças neurodivergentes no Pavão-Pavãozinho
Quem mora nas comunidades de Pavão-Pavãozinho e Cantagalo, na Zona Sul do Rio, tem à disposição uma escola que vai muito além das salas de aula tradicionais. O Solar Meninos de Luz, organização social sem fins lucrativos fundada em 1991, oferece educação integral para mais de 400 crianças e adolescentes, do berçário ao ensino médio, e tem se destacado por um trabalho cada vez mais estruturado de inclusão de alunos neurodivergentes e com deficiência.
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Em 2025, quase 10% dos estudantes da escola apresentaram laudos médicos ou estão sob investigação por quadros de neurodivergência, Síndrome de Down, depressão ou ansiedade. Somente em uma turma de educação infantil com 21 alunos, quatro já têm diagnósticos confirmados — entre Transtorno do Espectro Autista (TEA) suporte 1 e 2, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) — e um quinto caso ainda está em avaliação. É o maior salto registrado pela instituição desde 2015, quando a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência foi sancionada. Para Isabella Maltaroli, diretora da escola, o crescimento nos diagnósticos tem mais de uma explicação.
Para responder à procura, o Solar contratou 12 novos mediadores, profissionais que acompanham os alunos neurodivergentes dentro das próprias salas de aula. Cada um deles passou por treinamento interno voltado para as necessidades específicas de cada estudante.
Eleita a Melhor ONG do Rio de Janeiro, premiação do terceiro setor, o Solar se mantém por meio de parcerias e doações. As vagas do ano letivo atual já foram preenchidas, mas famílias interessadas podem entrar em contato para verificar disponibilidade ou se cadastrar para o próximo processo seletivo.
A escola fica na Rua Saint Roman 149, no Pavão-Pavãozinho. Informações: (21) 3202-6900 e no site da instituição.
Mediadores e sala de recursos
Outra aposta é a sala de recursos, espaço equipado com materiais didáticos específicos para estimular habilidades como atenção, concentração, alfabetização, raciocínio matemático e coordenação psicomotora.
A estrutura inclui jogos de memória, de combinação, de percepção, de classificação e outras ferramentas pedagógicas pensadas para ajudar cada criança a acompanhar melhor o conteúdo em sala de aula.
Integração com arte e esporte
Alessandra Almeida, coordenadora de atividades do Solar, conhece de perto os desafios da inclusão — sua filha Clarice, de 19 anos, tem Síndrome de Down e estudou na escola até a formatura no 9º ano, em 2024. Em sua pesquisa de mestrado sobre inclusão escolar, Alessandra identificou nas atividades artísticas um caminho poderoso de integração:
— Percebemos que os alunos com dificuldade de acompanhar as matérias eram ótimos em atividades artísticas. Numa atividade que lhe dá prazer, o aluno consegue se acalmar, se regular, se sentir integrado.
Clarice ainda faz atividades na unidades e se empenha no violino, coral, teatro e balé e tem como próximo objetivo a sapatilha de ponta.
