Incidentes cibernéticos no sistema financeiro batem recorde, e fraudes já são 7 em cada 10 casos, diz BC

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Fonte da notícia: O Globo O Globo

O número de incidentes cibernéticos em instituições financeiras comunicados ao Banco Central (BC) em 2026 já é o maior desde pelo menos 2018. Foram 99 casos até setembro, contra 76 em todo o ano passado e 59 em 2024, segundo o Relatório de Estabilidade Financeira (REF), divulgado nesta terça-feira.

As fraudes puxam a alta: 68 dos 99 incidentes, ou 69%, foram classificados assim. Em 2025, as fraudes eram 39, cerca de metade do total.

Ainda faltam três meses para fechar o ano, e o total de incidentes já é 30% maior que o de 2025. No caso das fraudes, a alta é de 74%.

O BC pondera que parte do aumento vem da melhora na detecção. Segundo o relatório, os bancos e o próprio BC reforçaram o monitoramento e o envio de informações, o que passou a revelar ataques que antes poderiam passar despercebidos.

A digitalização dos serviços financeiros e a maior conexão entre as instituições também explicam o crescimento. O relatório chama atenção para o nível de preparo dos criminosos.

“Os incidentes recentes evidenciaram elevado grau de conhecimento dos grupos criminosos sobre a operação do SFN”, diz o texto. Segundo o BC, os grupos sabiam como funcionam o sistema de mensagens do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB) e as contas que os bancos usam para liquidar operações entre si.

Em vários casos, os criminosos combinaram a invasão de sistemas, o uso de senhas válidas e a automação de transações fraudulentas. Num dos principais casos do ano, os criminosos invadiram um fornecedor de tecnologia e obtiveram as chaves de um certificado digital de uma instituição cliente.

O certificado não havia sido desativado depois de uma mudança na forma de conexão e continuava válido. Com isso, foi possível enviar mensagens fraudulentas com aparência de legítimas.

Como o BC identificou risco semelhante em outras instituições, adotou medidas preventivas, entre elas a limitação temporária de operações e a troca de certificados. O relatório não identifica as empresas envolvidas.

Em outros casos, os criminosos conseguiram senhas de funcionários, desenvolvedores e prestadores de serviço por meio de golpes como o phishing (mensagens falsas que induzem a vítima a entregar dados). Com contas de acesso amplo, fizeram transferências que pareciam legítimas, o que atrasou a reação.

Também exploraram as APIs, interfaces que conectam sistemas de diferentes empresas, para disparar ordens de transferência sem passar pelas aprovações normais. Falhas na programação permitiram ainda estornos e recargas indevidos, que geraram créditos artificiais.

Um levantamento do BC com 1.365 instituições, feito no primeiro semestre, mostra as brechas. Só 42% avaliam periodicamente o risco cibernético de cada fornecedor.

A autenticação em mais de uma etapa, como um código enviado ao celular além da senha, protege as contas com acesso mais amplo em 65% das instituições. Apenas 30% usam inteligência artificial para detectar fraudes.

As respostas são declaradas pelas próprias instituições. O tema também preocupa o mercado.

Na pesquisa trimestral do BC com as instituições financeiras, 12% apontaram o risco operacional, que inclui os ataques cibernéticos, como principal ameaça à estabilidade financeira em agosto, ante 8% em fevereiro. Os entrevistados relatam ataques mais frequentes e sofisticados, em parte por causa dos avanços em inteligência artificial.

Segundo o BC, os incidentes “produziram perdas relevantes em casos específicos”, mas não comprometeram o funcionamento do sistema financeiro. O BC diz que continuará monitorando e respondendo aos casos relevantes, e que vai desenvolver iniciativas para fortalecer a resiliência cibernética das instituições.

Publicação Original O Globo oglobo.globo.com
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