Incêndios na Espanha e na França se estabilizam, mas nova onda de calor faz países correrem para conter fogo

Incêndios na Espanha e na França se estabilizam, mas nova onda de calor faz países correrem para conter fogo

Fonte: Bandeira



França e Espanha tentam aproveitar uma breve janela de condições meteorológicas mais favoráveis para conter os incêndios florestais que já devastaram centenas de milhares de hectares e provocaram o deslocamento de mais de 300 mil pessoas.

Após a redução no avanço das chamas nas últimas horas, autoridades dos dois países alertam que uma nova onda de calor, prevista para começar entre terça e quarta-feira, deve dificultar novamente o trabalho das equipes de emergência e aumentar o risco de novos focos.


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Na Espanha, autoridades informaram que não houve novos grandes focos nem avanço significativo nos enormes incêndios ao sul e a oeste de Madri durante a noite, mas as chamas ainda seguem fora de controle.

Em comunicado nesta segunda-feira, o Ministério do Interior classificou esta segunda e terça-feira como “dias absolutamente centrais” para tentar estabilizar os focos antes da mudança nas condições climáticas.

A Agência Estatal de Meteorologia (AEMET) alertou para um risco “extremo” de incêndios florestais.


“O nível de perigo de incêndios continuará aumentando até alcançar valores extremos, dificultando os trabalhos de combate ao fogo devido às altas temperaturas, aos ventos predominantes do sul, com rajadas em algumas áreas, e à baixa umidade generalizada”, disse a agência, indicando que a nova onda de calor deverá durar “pelo menos” até domingo: “O episódio poderá se prolongar durante a próxima semana”.


Na província de Ávila, nos arredores da capital espanhola, o fogo já atingiu 80 mil hectares, tornando-se o maior incêndio florestal já registrado na história da Espanha.

Em todo o país, 75 mil pessoas foram retiradas de suas casas nos últimos dias, enquanto outras 30 mil receberam ordem para permanecer em suas residências, em parte para manter as estradas livres.

Outro grande incêndio espanhol avança cerca de 50 km ao norte da cidade costeira de Valência.


— Os incêndios florestais entraram em uma fase de crescimento exponencial — disse Víctor Resco de Dios, professor de Engenharia Florestal da Universidade de Lleida, acrescentando que o incêndio em Ávila tem o dobro da extensão do recorde anterior no país.

— Isso está nos levando a complexos gigantescos de incêndios, como os da Austrália ou da Califórnia.

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O presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez, esteve nesta segunda-feira no Posto de Comando Avançado de La Vall d’Uixó, junto à serra, onde outro foco de incêndio já devastou 7,2 mil hectares e segue se espalhando.

Após se reunir com os responsáveis pela operação de combate ao fogo, ele advertiu que “ainda restam horas difíceis e complexas”, destacando que a preocupação aumenta com a chegada iminente da nova onda de calor.


— Não são incidentes isolados, mas a expressão mais dolorosa de uma emergência climática que está tornando os incêndios florestais de sexta geração cada vez mais ferozes — disse.

— É o novo normal: verões cada vez mais difíceis, destrutivos e, consequentemente, mortais.


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Sánchez afirmou que, apenas neste ano, os incêndios florestais queimaram aproximadamente 150 mil hectares na Espanha, e 13 pessoas morreram.

O espanhol apelou para que a população redobre os cuidados para prevenir novos incêndios e defendeu a necessidade de um pacto de Estado para enfrentar a emergência climática.

Ele disse, ainda, que o Conselho de Ministros aprovará na terça-feira um “decreto-lei que declarará a área [de La Vall d’Uixó] como gravemente afetada por uma emergência de Proteção-Civil”.


Fenômeno sem precedentes

Na França, cerca de 220 mil pessoas foram retiradas da região de Gironde à medida que incêndios florestais descontrolados e imprevisíveis se espalharam pela área ao redor de Bordeaux.

Embora a extensão do incêndio tenha permanecido praticamente estável na manhã desta segunda-feira, a situação continua delicada, afirmou David Annotel, representante da associação nacional de bombeiros, à rádio Franceinfo.

— Esta é uma temporada excepcional e totalmente sem precedentes — disse o ministro do Interior francês, Laurent Nunez, após uma reunião ministerial em Paris.

— Enquanto o incêndio não estiver sob controle, a situação continuará desfavorável.

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Mais de 42 mil hectares já foram queimados em Gironde, uma área equivalente a sete vezes o tamanho da ilha de Manhattan.

O presidente francês, Emmanuel Macron, visitará na tarde desta segunda-feira a região, anunciou a Presidência, acrescentando que ele irá ao encontro das “equipes mobilizadas para expressar o apoio da nação e das autoridades eleitas, além de agradecer o compromisso demonstrado”.


Em todo o país, são pelo menos 116 mil hectares devastados, e o risco de incêndios florestais permanece alto.

Segundo a Federação Nacional dos Bombeiros da França, os incidentes provocaram a formação de uma gigantesca nuvem de fogo capaz de gerar seus próprios ventos, produzir raios e, às vezes, tornados — fenômeno conhecido cientificamente como “pyrocumulonimbus”, que nunca havia sido registrado no país.


— É um cenário de Davi contra Golias.

Em algum momento encontraremos um ponto fraco e atacaremos por ali — disse o porta-voz da federação, Eric Brocardi.


Temporada de incêndios

Espanha e França têm sido o epicentro da temporada de incêndios florestais na Europa, que começou cedo neste ano e se intensificou nas últimas semanas, à medida que sucessivas ondas de calor ressecaram a vegetação, facilitando a rápida propagação das chamas.

Para os próximos dias, a previsão é de que as temperaturas alcancem cerca de 40°C na Espanha até terça-feira, enquanto, na França, as máximas devem atingir entre 40°C e 41°C na quarta-feira.

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As mudanças climáticas estão intensificando os períodos de calor extremo na Europa, o continente que mais aquece no mundo.

Temperaturas recordes e a seca alimentaram o pior início já registrado da temporada global de incêndios florestais, enquanto cientistas do clima alertam que o desenvolvimento do fenômeno El Niño pode trazer condições ainda mais severas no restante do verão.

Países da União Europeia se uniram aos esforços de combate aos incêndios na Espanha e na França, enviando aviões e bombeiros por meio do Mecanismo de Proteção Civil do bloco.

A área semanal devastada pelo fogo chegou a 180 mil hectares até a última quarta-feira, o maior índice para este período do verão em pelo menos 20 anos, segundo dados do programa Copernicus.

(Com Bloomberg e AFP)