Incêndios em Los Angeles: Registros do 911 mostram que alertas poderiam ter sido emitidos 4 horas antes, diz jornal

 

Fonte: Bandeira



Novos registros de chamadas para o serviço de emergência 911 revelaram possíveis falhas nas evacuações durante o incêndio Eaton Fire, um dos mais devastadores da história recente da Califórnia, em janeiro de 2025. Documentos obtidos pelo jornal The Times mostram que autoridades já tinham indícios claros de que as chamas avançavam sobre bairros de West Altadena quatro horas antes de emitirem ordens oficiais de retirada para moradores da região. A série de incêndios deixou ao menos 31 mortos, forçou a evacuação de cerca de 150 mil pessoas e destruiu mais de 16 mil estruturas, além de amplas áreas de florestas.

Incêndio em escola no Quênia: oito estudantes são detidas após morte de 16 alunas

Veja também: Ex-alto funcionário da CIA é preso nos EUA com R$ 202 milhões em ouro em casa

Segundo a investigação, policiais e bombeiros já atuavam em áreas ameaçadas pelo fogo pouco depois das 23h30, quando já estava evacuando um morador. No entanto, os alertas amplos de evacuação só foram enviados durante a madrugada, horas depois. A revelação aumentou a pressão sobre autoridades do condado de Los Angeles e reforçou críticas de moradores que afirmam ter recebido os avisos tarde demais, quando as chamas já cercavam casas e ruas inteiras.

A maioria justamente em West Altadena, bairro historicamente negro da região metropolitana de Los Angeles. O caso agora é alvo de uma investigação de direitos civis na Califórnia, que tenta determinar se houve falhas ou tratamento desigual na resposta dada pelas autoridades às comunidades atingidas.

O incêndio ocorreu em meio a uma das temporadas de fogo mais destrutivas dos últimos anos na Califórnia. Em janeiro de 2025, os ventos fortes e o clima extremamente seco ajudaram a espalhar rapidamente as chamas por áreas próximas de Los Angeles, provocando cenas de caos, congestionamentos e evacuações em massa.

As grandes áreas de incêndio detectas em Palisades, Eaton e Hurst, na Califórnia

Arte O Globo

Na época, incêndios avançaram sobre regiões próximas a bairros de luxo e ameaçaram mansões de celebridades de Hollywood. Vídeos compartilhados nas redes sociais mostravam moradores abandonando carros e fugindo a pé em meio ao fogo e à fumaça intensa. Autoridades chegaram a ordenar evacuações emergenciais em áreas residenciais consideradas nobres da cidade.

Além das áreas residenciais, o fogo também destruiu construções históricas da região de Hollywood. Entre elas estava um icônico motel de mais de 120 anos que já hospedou estrelas do rock e serviu de cenário para filmes e produções de televisão ao longo das décadas. O prédio era considerado um símbolo cultural da cidade e sua destruição foi tratada como uma das perdas mais emblemáticas da tragédia.

Focos de incêndio na Califórnia forçam ordens de retirada em Los Angeles

Arte/O GLOBO

Os novos detalhes divulgados reacenderam o debate sobre preparação para desastres climáticos e eficiência dos sistemas de alerta na Califórnia. A preocupação é de que incêndios florestais se tornem mais rápidos, imprevisíveis e destrutivos por causa das mudanças climáticas, exigindo respostas mais ágeis das autoridades locais.

Moradores de West Altadena afirmam que muitos não tiveram tempo suficiente para escapar, enquanto autoridades defendem que enfrentavam condições de visibilidade quase nula, ventos intensos e mudanças rápidas na direção do fogo.

Em janeiro de 2026, novos incêndios atingiram o sul da Califórnia e obrigaram retirada de mais de 29 mil pessoas, na ocasião. Chamas avançaram rapidamente na região próxima a Los Angeles, impulsionadas também pelos ventos secos de Santa Ana.

Vídeo mostra fuga em meio a incêndio em subúrbio de Los Angeles

Reprodução/X