Incêndio em resort de luxo na Suíça remete à tragédia da Boate Kiss, relembre

 

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O incêndio que atingiu um bar em um resort de luxo na estação de esqui de Crans-Montana, nos Alpes Suíços, durante a festa de Réveillon, reacendeu a memória de uma das maiores tragédias da história recente do Brasil: o incêndio da Boate Kiss, em Santa Maria (RS), em 2013. Embora o número de vítimas na Suíça seja menor, os paralelos entre os dois episódios, ambos ocorridos em ambientes fechados, lotados e com dificuldades de evacuação, são evidentes.

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Ao menos 40 pessoas morreram e cerca de 100 ficaram feridas no incêndio na Suíça, segundo autoridades locais. A suspeita inicial é de que fogos de artifício usados durante as comemorações de Ano Novo tenham provocado as chamas. A hipótese foi levantada pelo ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, que afirmou não haver indícios de ação criminosa.

Policiais fazem a segurança do local do incêndio que atingiu um bar em Crans-Montana, na Suíça

MAXIME SCHMID / AFP

— Parece ter sido um acidente causado por um incêndio, por alguma explosão, por algum rojão lançado durante as comemorações de Ano Novo — disse Tajani ao canal Sky TG24.

Duas mulheres contaram à emissora francesa BFMTV que estavam dentro do bar quando viram um barman carregando uma garçonete nos ombros. A garçonete segurava uma vela acesa dentro de uma garrafa, que incendiou o teto de madeira. As chamas se alastraram rapidamente e o teto desabou, disseram elas à emissora.

As vítimas ainda não haviam sido identificadas até a manhã desta quinta-feira devido à gravidade das queimaduras. De acordo com a polícia, pessoas de diversas nacionalidades estavam no local no momento do incêndio. O bar, situado no subsolo de um prédio com capacidade para mais de 300 pessoas, tinha acesso por uma passagem estreita, segundo relatos colhidos pela imprensa suíça — um detalhe que dificultou a fuga e o trabalho de resgate.

Dez helicópteros, 40 ambulâncias e cerca de 150 socorristas foram mobilizados para combater as chamas e retirar as vítimas. Uma testemunha que também falou à BFMTV descreveu pessoas quebrando janelas para escapar do incêndio, algumas gravemente feridas, e pais em pânico correndo para o local para ver se seus filhos estavam presos lá dentro.

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Ecos da Boate Kiss

As circunstâncias remetem diretamente ao incêndio da Boate Kiss, ocorrido em janeiro de 2013, quando um artefato pirotécnico usado pela banda que se apresentava no palco incendiou o revestimento acústico do teto. A espuma liberou gases tóxicos, como o cianeto, em um ambiente fechado, sem ventilação adequada e com saídas de emergência insuficientes. 242 pessoas morreram e 636 ficaram feridas, a maioria jovens.

Assim como no caso suíço, a tragédia em Santa Maria foi agravada por uma combinação de fatores: uso de fogos de artifício em local fechado, superlotação, falhas estruturais e dificuldades de evacuação. A perícia apontou ainda irregularidades nos alvarás e na fiscalização.

Após anos de disputas judiciais, o Supremo Tribunal Federal manteve, em 2024, as condenações dos quatro réus responsabilizados pela tragédia, retomando a validade do júri popular realizado em 2021. Além disso, o episódio levou à criação da Lei Federal 13.425, conhecida como “Lei Kiss”, que estabeleceu diretrizes mais rígidas para a prevenção de incêndios e pânico em locais de grande circulação.

Na Suíça, as autoridades anunciaram a abertura de uma investigação para apurar responsabilidades e eventuais falhas de segurança no resort de Crans-Montana.