A 5ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) rejeitou, por unanimidade, o recurso que pedia o retorno de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá à prisão nesta quarta-feira (2). O julgamento, iniciado em sessão virtual na última quinta (27) e finalizado nesta quarta-feira, fazia parte de um recurso protocolado pela Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ de São Paulo, que afirmou, em nota, que irá recorrer da decisão. Nas redes sociais, a mãe de Isabella Nardoni também reagiu à manutenção do regime aberto: "Impunes mais uma vez". Com qual candidato a presidente você mais se identifica? Responda às perguntas e descubra qual candidato tem a visão mais parecida com a sua Qual é o seu perfil ideológico? Teste do GLOBO revela sua posição político-ideológica Nesta quarta, o recurso foi rejeitado pelo colegiado do STJ porque a entidade, autora do pedido, não pagou as custas processuais exigidas pelo Tribunal. Sem o pagamento das taxas, o recurso não pôde prosseguir. Segundo o deputado estadual suplente por São Paulo Agripino Magalhães Júnior, presidente da associação, por se tratar de uma instituição sem fins lucrativos, a entidade não está sujeita ao pagamento de custas processuais. Para o parlamentar, a decisão do STJ não encerra o caso e afirmou que "pretende continuar buscando que as condições de cumprimento das penas sejam rigorosamente observadas". — Respeitamos as decisões da Justiça, mas temos o direito e o dever de recorrer quando entendemos que existem questões que precisam ser novamente analisadas. Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram condenados pela morte de Isabella Nardoni e, na nossa avaliação, devem cumprir suas penas longe do convívio em sociedade e, principalmente, em respeito à família da vítima. Vamos utilizar todos os instrumentos jurídicos cabíveis para que esse entendimento seja levado às instâncias competentes — disse Agripino Magalhães Júnior em nota enviada ao GLOBO. A defesa de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá também foi procurada para comentários acerca do julgamento ou da decisão do STJ, mas não respondeu. Família da vítima protesta Ana Carolina Oliveira, mãe de Isabella Nardoni e atualmente candidata à deputada federal por São Paulo, reagiu à decisão do STJ nas redes sociais. Ela já tinha pedido o retorno de Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá à prisão no último dia 28, enquanto o julgamento ainda estava em curso. Nesta quinta, algumas horas após a divulgação da manutenção em regime aberto, Ana Carolina postou um vídeo em que a família e amigos próximos relatam os acontecimentos do dia em que Isabella foi assassinada, em 29 de março de 2008. O irmão de Ana Carolina relembrou Antônio Nardoni, pai de Alexandre, tirou o filho rapidamente da cena do crime e disse: "Vambora daqui, não vai ficar muito bom pra gente". O pai de Ana Carolina, avô de Isabella, deu destaque ao comportamento de Anna Carolina Jatobá e afirmou que a madrasta chamou Alexandre Nardoni de incompetente após a queda da neta: "não esqueço". Ana Carolina não fala muito no vídeo, mas abre a publicação relembrando a data da morte da filha. Na legenda, ela escreveu: "O dia mais difícil da minha vida sendo revivido... E os criminosos da minha filha seguem impunes mais uma vez!", referindo-se à decisão do STJ. A mãe de Isabella também postou um vídeo com algumas imagens da menina e uma música religiosa de fundo.
Crise no STF: Moraes aponta indícios de crime de Mendonça e pede que Fachin tome providências Crise no STF: Em duelo com Mendonça, PF diz que ministro tem 'efetiva participação nas tratativas de colaboração premiada' dos casos Master e INSS Recurso No recurso apresentado ao STJ, a Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ de São Paulo apresentou questionamentos a respeito da rotina de trabalho declarada por Alexandre Nardoni, sobre a circulação dele em horários possivelmente não autorizados e, também, apresentou dúvidas a respeito do endereço informado à Justiça. Também mencionou relatos de moradores de São Paulo e da região de Barueri sobre a presença e circulação dos condenados. Essas reclamações deram origem a um abaixo-assinado com mais de duas mil assinaturas, que pediam o retorno dos envolvidos na morte de Isabella Nardoni à prisão. Segundo o advogado Angelo Carbone, representante da associação que levou o caso ao STJ, o casal passou a incomodar moradores do bairro de Santana, na capital paulista. — Eles começaram um abaixo-assinado para ele (Alexandre Nardoni) voltar para a cadeia. Ele estava causando. Saiu da cadeia e começou a enfrentar todo mundo no bairro. Criou problemas no próprio prédio, no prédio do pai dele... Praticamente, ele estava afrontando a sociedade dizendo: 'Olha, eu voltei' — afirma Carbone. Nova investigação A Associação do Orgulho LGBTQIAPN+ de São Paulo também apresentou neste mês uma nova representação ao Ministério Público de São Paulo (MP-SP), independente do recurso julgado pelo STJ, pedindo a reabertura de investigações relacionadas à morte de Isabella. A entidade afirma ter recebido relatos sobre supostos privilégios concedidos a Jatobá durante o período em que esteve presa e sobre uma versão diferente do crime que teria sido relatada por ela a agentes penitenciárias. 'Pergunta da semana': De Vorcaro e Moraes ao 'Dark horse', os ecos do Master podem favorecer a 'onda' Augusto Cury? Eleições 2026: Entre na comunidade do GLOBO e receba as notícias em primeira mão Angelo Carbone mencionou que as suspeitas, ainda não investigadas e que motivam o novo pedido ao MP-SP, recaem sobre a atuação de Antônio Nardoni, pai de Alexandre e avô de Isabella, no assassinato da neta. Isabella Nardoni morreu em 2008, e Alexandre Nardoni e Anna Carolina Jatobá foram condenados pela morte da menina de 5 anos, que era filha de Alexandre. Ela foi encontrada morta após cair do sexto andar do edifício onde o pai morava, em São Paulo. O então casal foi denunciado por homicídio triplamente qualificado e, em 2010, levado a júri popular. Alexandre foi condenado a 31 anos, 1 mês e 10 dias de prisão, enquanto a madrasta, Anna Carolina, recebeu pena de 26 anos e 8 meses. Ambos sempre negaram o crime, mas foram presos após o julgamento e, posteriormente, passaram ao regime semiaberto. Os dois sempre negaram o crime. Anna Carolina passou ao regime aberto em 2023. Alexandre obteve o mesmo benefício em 2024.
O Globo